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Pandemia faz aeroporto de Atlanta perder para chinês o posto de mais movimentado do mundo

As medidas de isolamento social adotadas para combater a proliferação do coronavírus derrubaram em 64,6% o tráfego de passageiros nos principais aeroportos do mundo em 2020, segundo dados preliminares divulgados nesta quinta-feira (22).

Os números do ACI World (Conselho Internacional de Aeroportos, na sigla em inglês) mostram uma reconfiguração na lista dos dez aeroportos mais movimentados do ano passado, que, juntos, tiveram uma queda de 45,7% no número de passageiros.

Aeroportos chineses que não figuravam no topo dos mais movimentados anteriormente agora aparecem no ranking dos dez mais –o país foi o primeiro a ser atingido pela pandemia e o primeiro entre as grandes economias a se recuperar da crise provocada pela pandemia.

A liderança passou a ser do Aeroporto Internacional Guangzhou Bai Yun, na China, que era o 11º em 2019.

O Aeroporto Internacional de Xangai-Hongqiao, na China, por exemplo, passou da 46ª posição em 2019 para a 9ª posição em 2020, ilustrando a natureza desigual do impacto e da recuperação da pandemia em todo o mundo.

Mais movimentado do mundo por 22 anos, Aeroporto Internacional Atlanta Hartsfield-Jackson, nos Estados Unidos, caiu para a segunda posição. Já os de Dubai, Los Angeles, Tóquio, Chicago, Londres, Hong Kong e Paris, que estavam na lista dos dez mais em 2019, nem aparecem no ranking.

Sete dos dez principais aeroportos em volume de tráfego de passageiros estão na China e três nos Estados Unidos. Na maioria dos casos, as viagens aéreas domésticas estão voltando com recuperação modesta, enquanto as viagens aéreas internacionais continuam retraídas devido às contínuas restrições de mobilidade.

Dos sete aeroportos chineses do ranking de 2020, por exemplo, apenas um estava na lista de 2019.

Apesar de ocupar a primeira posição, o aeroporto de Guangzhou viu cair em cerca de 40% o total de passageiros no ano passado, de 73,4 milhões em 2019 para 43,8 milhões. No de Atlanta a queda foi maior: 61%, de 110,5 milhões para 42,9 milhões.

Veja o ranking de passageiros














2020 2019 Aeroporto Passageiros em 2020 Passageiros em 2019 Variação, em %
11º Guangzhou (China) 43,768 milhões 73,395 milhões -40,4
Atlanta (EUA) 42,919 milhões 110,531 milhões -61,2
24º Chengdu (China) 40,742 milhões 55,859 milhões -27,1
10º Dallas/Fort W. (EUA) 39,365 milhões 75,067 milhões -47,6
26º Shenzhen (China) 37,916 milhões 52,932 milhões -28,4
Pequim (China) 34,514 milhões 100,014 milhões -65,5
16º Denver (EUA) 33,741 milhões 69,016 milhões -51,1
37º Kunming (China) 32,991 milhões 48,076 milhões -31,4
46º Xangai (China) 31,166 milhões 45,638 milhões -31,7
10º 40º Xi’an (China) 31,074 milhões 47,221 milhões -34,2

“O impacto da Covid-19 no tráfego global de passageiros durante a pandemia levou a aviação a uma paralisação virtual em 2020 e continuamos a enfrentar uma ameaça existencial”, disse o diretor-geral da ACI World, Luis Felipe de Oliveira.

Ele afirmou ainda que os dados revelam o desafio que os aeroportos enfrentam e pediu que a indústria aérea receba suporte por meio de apoio direto e “decisões políticas sensatas dos governos para garantir que a aviação possa resistir, reconstruir a conectividade e alimentar uma recuperação econômica global”.

Considerando movimentações de aeronaves –e não de passageiros–, o Atlanta Hartsfield-Jackson passou a liderar o ranking em número de operações em 2020, ultrapassando o Aeroporto Internacional O’Hare de Chicago, que ocupou o topo da lista nos dois anos anteriores.

Nessa base de comparação há oito aeroportos americanos na lista e dois chineses.

A ACI World estima que houve 58 milhões de movimentos de aeronaves em todo o mundo em 2020, queda de 43% em relação a 2019. Os dez principais aeroportos representam 7% do tráfego global de aviões (4,2 milhões de movimentos) e tiveram uma queda de 34,3% em relação ao ano anterior.

Com a demanda pelo ecommerce impulsionada na pandemia, o transporte aéreo de cargas não sofreu tanto com a crise provocada pela Covid-19.

O volume de carga aérea nos dez principais aeroportos –que representam pouco mais de um quarto do volume global transportado por aeronaves– cresceu 3% no ano passado, para 30,6 milhões de toneladas métricas.

O ganho pode ser atribuído ao aumento da demanda por bens de consumo online e produtos farmacêuticos e equipamentos de proteção individual. Com um aumento de 6,7%, o Aeroporto Internacional de Memphis, nos EUA, ultrapassou o Aeroporto Internacional de Hong Kong no ranking.

No total, a queda mundial nos volumes transportados em 2020 foi de 8,9%, com estimativa de 109 milhões de toneladas métricas, o equivalente aos níveis de 2016 (110 milhões de toneladas métricas).

EUROPA

Nenhum aeroporto europeu figurou nos rankings dos dez mais de 2020. A ACI Europa estima que os aeroportos do continente só recuperem os níveis pré-pandemia em 2025. Para 2021, preveem movimentação de passageiros até 64% inferior ao nível de 2019.

Anteriormente, a associação, que representa mais de 500 aeroportos europeus, previa que retornaria aos níveis de antes da pandemia mais cedo, em 2024, e uma queda de 54% para este ano na comparação com dois anos antes.

O tráfego de passageiros na Europa neste ano seria praticamente o mesmo de 2020, quando sofreu uma queda de 70,4%, empurrando-o para os níveis de 1995.

O balanço do primeiro trimestre da ACI Europa alimentou esse pessimismo, ao mostrar que o tráfego de passageiros havia caído 81,7% em relação ao mesmo período de dois anos atrás, ou seja, cerca de 400 milhões de passageiros a menos.

O cenário é ainda mais desolador para a região que inclui União Europeia, Suíça e Reino Unido, onde a queda chega a 88%.

“Esses números mostram que a crise não apenas não diminuiu, mas piorou para os aeroportos desde o início do ano”, disse o presidente-executivo da ACI Europe, Olivier Jankovec, em comunicado divulgado na quarta-feira (21).

Para Jankovec, a resiliência financeira dos aeroportos do continente enfraquece a cada dia.

“Precisamos urgentemente começar a recuperação neste verão [europeu] e esperamos que as vacinações levem a uma melhora na situação da epidemia”, acrescentou.

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