Saúde

Inteligência Emocional e o controle das emoções

Com toda certeza você já ouviu falar sobre controle ou descontrole emocional não é mesmo?

Se você pudesse escolher que tipo de temperamento ter, qual você escolheria? Ser ansioso, estressado, depressivo ou explosivo seriam temperamentos alinhados com as suas preferências?

Certamente nenhum desses temperamentos estaria no seu radar. Mas por que será que muitos de nós sentimos tantas dificuldades para controlar impulsos e sentimentos?

Nossas emoções estão, muitas vezes, à flor da pele, não é mesmo? Por causa disso agimos muito mais emocionalmente do que racionalmente, ou seja, nos deixamos levar pelo calor da emoção enquanto a nossa razão demora um pouquinho mais para processar e analisar os fatos.

Um exemplo simples do descontrole emocional é quando a gente fica irritado com alguém e consegue controlar a sua raiva para não piorar a situação, ou seja, quando a gente sabe respirar fundo e controlar os impulsos. Se você consegue fazer isso, podemos dizer, que tem inteligência emocional.

Quando conseguimos perceber que somos movidos por nossas emoções e pelos sentimentos que elas nos trazem, passamos a entender e a controlar a nossas emoções, isto é, passamos a agir a partir de nossa ‘Inteligência Emocional’.

Agora você pode estar se perguntando: – mas, afinal, o que é inteligência emocional?

Podemos dizer que a inteligência emocional é a capacidade que o ser humano tem de aprender a lidar com as próprias emoções e tirar proveito delas, aprender a compreender os seus sentimentos e os sentimentos e comportamentos das outras pessoas.

É preciso haver equilíbrio entre as áreas presentes nos dois hemisférios do cérebro – o direito e o esquerdo – para que consigamos administrar as emoções e conquistar a inteligência emocional.

O hemisfério esquerdo comanda as tarefas analíticas e lógicas, ou seja, a matemática, a linguagem, a escrita, o pensamento linear. Em poucas palavras, é este lado do nosso cérebro que comanda todo o nosso racional.

O lado direito do nosso hemisfério cerebral é responsável pelas atividades emocionais como a raiva, o medo, a tristeza, a alegria, o amor e todos os sentimentos que acompanham estas emoções primárias e isso inclui a capacidade de síntese, intuição, compreensão da linguagem, a música e os gestos.

Foi o psicólogo, escritor e PhD da Universidade de Harvard, Daniel Goleman quem desenvolveu, na década de 1990, os cinco pilares da inteligência emocional, que podem e devem ser aplicados diariamente, o que possibilita a construção de relações saudáveis e influencia, consideravelmente, na tomada de decisões mais conscientes, uma vez que a inteligência emocional nos ajuda a conciliar o lado emocional e racional do cérebro, produzindo comportamentos construtivos e potencializando emoções positivas, para que possamos alcançar resultados desejados.

Segundo Daniel Goleman, o primeiro passo é conhecer as próprias emoções, analisar cada uma delas e desenvolver ações em resposta aos estímulos. Esta seria a chave da inteligência emocional.

O controle das emoções é construído dia-a-dia, a partir do momento que cada um de nós passa a olhar para dentro e a se conhecer melhor, a conhecer e analisar suas emoções. Portanto, podemos dizer que a inteligência emocional está diretamente ligada ao sucesso profissional, às relações interpessoais e a automotivação. As pessoas que conseguem ter maior controle emocional, também tendem a ter maior autogestão das suas vidas, o que inclui alcançar propósitos estabelecidos.

Uma dica para ajudar no seu autodesenvolvimento é passar a escrever num papel os seus sentimentos e ações, estas ações podem ser importantes para que o depois possa refletir profundamente sobre quem é e como age.

Quando escrevemos acerca dos nossos sentimentos, especialmente aqueles ansiosos, aprendemos a lidar com as nossas emoções e controlá-las, o que nos coloca na direção certa de acordo com cada situação que enfrentamos e isso fará toda a diferença entre o equilíbrio e o desequilíbrio emocional. Então, o controle emocional seria o segundo passo para o desenvolvimento da inteligência emocional.

Cada situação enfrentada nos traz o lado positivo e algumas vezes um lado negativo. É muito importante você evitar pensar, de imediato, em um resultado negativo. Seja otimista, enxergue o lado positivo das coisas e seja grato, pois cada situação pode ter inúmeras saídas, respire fundo e procure por elas. Quando estamos sob tensão a melhor coisa a fazer é respirar, manter a calma e, se puder, realizar outra atividade e depois voltar a atenção àquela circunstância que pode ter tirado você do sério.

A automotivação seria o terceiro passo para o desenvolvimento da inteligência emocional. É a capacidade que alguém tem de buscar em si mesmo motivos para alcançar determinados objetivos. na prática a automotivação é provocada por estímulos internos, é a maneira que cada um tem de despertar o interesse por algo e nos mostra quem somos.

A partir da automotivação aprendemos a utilizar adequadamente as nossas emoções, a não perder a esperança. A partir dela, aprendemos a responder a estímulos diferentes em um processo consciente em que podemos analisar como nos sentimos e depois decidirmos como queremos ou devemos nos comportar para atingir nossas metas.

O quarto passo para o desenvolvimento da inteligência emocional é desenvolver a empatia, ou seja, aprender a nos colocarmos no lugar do outro, a reconhecer as emoções das outras pessoas e entender as razões de seus comportamentos. Desenvolver a empatia não quer dizer que você vá concordar com tudo o que a outra pessoa faz e com a maneira dela agir, mas que você tem a capacidade de se identificar com a outra pessoa e sentir o que ela sente, respeitando-a profundamente, ou seja é procurar experiencial de forma objetiva e racional o que a outra pessoa sente para que você tente compreender os seus sentimentos e as suas emoções.

Outro ponto muito importante para o desenvolvimento da inteligência emocional é saber relacionar-se interpessoalmente, ou seja, criar um ambiente positivo à sua volta. O principal objetivo de um bom relacionamento interpessoal é tornar a convivência mais agradável entre as pessoas. Um excelente relacionamento interpessoal mantém as pessoas motivadas e unidas, assim elas sabem que podem contar umas com as outras e terão mais facilidade para encarar grandes desafios.

Ter a inteligência emocional bem desenvolvida traz muitos benefícios para as pessoas, tanto no que se refere ao mercado de trabalho, na família, com os filhos. Uma inteligência emocional bem desenvolvida nos ajuda a tomar decisões importantes pois ela pode diminuir os níveis de ansiedade e estresse, pode ajudar a diminuir a quantidade de discussões nos relacionamentos tanto em casa, quanto no trabalho.

Nossas emoções influenciam nas tomadas de decisão. Entender e aplicar os pilares da inteligência emocional é primordial para o sucesso pessoal e profissional de cada um de nós.  Pessoas que desenvolvem a inteligência emocional aprendem a lidar com as emoções de forma diferenciada, elas pensam, agem e sentem de forma inteligente e consciente e não permitem que as emoções administrem a sua vida.

Portanto, quando você aprende mais e melhor sobre as suas emoções, pode melhorar seus relacionamentos interpessoais, ter mais empatia pelo outro, desenvolver mais o seu equilíbrio emocional, ter maior clareza nos objetivos e desenvolvimento das suas ações. Além disso, você melhora a sua capacidade de tomada de decisão, o que influencia na administração do seu tempo e da sua produtividade, aumentando o nível de comprometimento com as suas metas.

O autoconhecimento e a inteligência emocional estão intimamente ligados. Não existe forma de você aprender a administrar as suas emoções se não as conhecer e não conhecer o seu jeito de lidar com os próprios sentimentos.

Portanto, antes de mais nada, é preciso que você faça uma autorreflexão a fim de descobrir tudo o que é necessário sobre si mesmo e partir em busca de melhorias contínuas, ou seja, você precisa ser a sua melhor versão.

Também é importante lembrar que o autoconhecimento se constrói dia a dia e como uma atividade física deve ser praticado sempre. Então comece hoje mesmo a praticar os seguintes hábitos:

  1. Desacelere, preste atenção em suas emoções, saia do piloto automático.
  2. Observe quais são os sentimentos negativos que você foi acumulando durante o tempo e descubra maneiras diferentes de diminuir cada um deles.
  3. Não guarde os seus sentimentos, expressa suas emoções para pessoas em que você confia ou procure profissionais especializados.
  4. Olhe para si. Reserve um tempo para olhar para dentro. Observe as suas reações e como pode melhorar o seu relacionamento interpessoal.
  5. Acredite que você é a pessoa em que mais pode confiar, seja paciente consigo e gentil durante o seu processo de desenvolvimento pessoal.

Acredito que se você leu até aqui já entendeu que a inteligência emocional é uma habilidade indispensável em qualquer área das nossas vidas, não é mesmo?

Quando se trata de relações pessoais ela é primordial para preservar e fortalecer laços. No trabalho não é diferente.

A inteligência emocional é uma competência primordial para os colaboradores nos tempos atuais. Funcionários mais equilibrados tendem a tomar melhores decisões e podem trazer resultados muito mais produtivos para as empresas e é, justamente, por isso, que a inteligência emocional está entre as habilidades mais procuradas no mercado de trabalho.

As habilidades e as competências sociais esperadas na atualidade são assertividade, comunicação, espírito de equipe, colaboração, gestão do tempo, liderança, persuasão, resiliência, criatividade, pensamento crítico, empatia, proatividade e adaptabilidade, todos estes elementos desenvolvidos a partir da inteligência emocional.

Viu só, a inteligência emocional e o controle das emoções cercam nossa vida diariamente, não só no campo pessoal, mas também, no campo profissional. E, se você pretende ter sucesso na sua vida, não deixe de levar em consideração as dicas que nós demos neste artigo. Coloque-os em prática agora mesmo!

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Yvie Favero

Yvie Favero é master terapeuta emocional, pedagoga e psicopedagoga. Atua dentro das práticas integrativas complementares em saúde e presta assessoria e consultoria em saúde e bem-estar.

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