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Israel mata comandante da Jihad Islâmica em Gaza e conflito entra na 2ª semana

Israel matou nesta segunda-feira (17) um alto comandante do grupo radical Jihad Islâmica na Faixa de Gaza, em bombardeios aéreos que também tinham como alvo, segundo seu Exército, túneis usados pelo Hamas. Enquanto isso, grupos islâmicos voltaram a lançar foguetes contra cidades israelenses.

A pior onda de violência na região em anos entrou na segunda semana sem nenhum sinal de que vá arrefecer. O secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, pediu que os dois lados protejam civis e disse que Washington trabalha nos bastidores para acalmar o conflito.

Autoridades de saúde de Gaza afirmam que o número de mortos subiu para 201, incluindo 58 crianças e 34 mulheres. Dez pessoas foram mortas em Israel, incluindo duas crianças, afirma o governo do país.

A morte de Hussam Abu Harbeed, comandante militar da Jihad Islâmica para o norte de Gaza, provavelmente vai gerar uma resposta dura por parte desses militantes que lutam ao lado do Hamas, o grupo que comanda a região.

O Exército israelense afirmou, em um comunicado, que Harbeed esteve “por trás de vários ataques terroristas com mísseis anti-tanques contra civis israelenses”.

Logo após a morte dele, a Jihad Islâmica afirmou que disparou foguetes contra a cidade israelense de Ashdod, e a polícia de Israel disse que três pessoas ficaram levemente feridas.

Também nesta segunda, ao menos três palestinos foram mortos em um ataque aéreo contra um carro na cidade de Gaza, afirmam médicos, após uma noite de fortes bombardeios israelenses.

Segundo o Exército de Israel, militantes de Gaza dispararam cerca de 60 foguetes contra cidades do país ao longo da madrugada, menos que os 120 e 200 das duas noites anteriores.

Outro palestino foi morto em um ataque aéreo contra a cidade de Jabalya, informaram médicos.

Israel bombardeou o que seus militares dizem ser 15 quilômetros de túneis subterrâneos usados pelo Hamas, após foguetes terem sido disparados de Gaza contra as cidades israelenses de Beersheba e Ashkelon. Nove residências pertencentes a comandantes do Hamas em Gaza também foram atingidas, afirmam.

O Exército israelense disse que ao menos 130 combatentes palestinos foram mortos e que cerca de 3.150 foguetes foram disparados contra seu território a partir de Gaza desde a escalada do conflito —a maioria foi interceptada.

O Hamas afirma que seus ataques são uma retaliação contra “a agressão persistente de Israel contra civis”.

Nesta segunda-feira, os Estados Unidos solicitaram a Israel que dê “detalhes” sobre a “justificativa” para o ataque que destruiu um prédio no sábado (15), em Gaza, que abrigava a imprensa internacional.

Durante uma visita a Copenhague, Antony Blinken não quis se pronunciar sobre a legitimidade do ataque, dizendo não ter visto informações compartilhadas pelas autoridades israelenses.

O secretário de Estado americano pediu a Israel e aos palestinos que “protejam os civis e especialmente as crianças”, acrescentando que Israel, “como uma democracia,” tem um “dever especial” nesse sentido.

“Continuaremos fazendo uma diplomacia ativa para pôr fim a este ciclo de violência” e “estamos prontos para dar nosso apoio, se as partes quiserem alcançar um cessar-fogo”, declarou,

Blinken reiterou o apoio dos Estados Unidos ao direito de Israel de “se defender”, estimando que “não há qualquer equivalência possível entre um grupo terrorista que dispara foguetes às cegas contra civis e um país que se defende destes ataques”.

“Pedimos ao Hamas e aos outros grupos em Gaza que ponham fim, de maneira imediata, aos ataques com foguetes”, disse.


Também nesta segunda-feira, a chanceler alemã, Angela Merkel, manifestou “solidariedade” a Israel durante uma conversa telefônica com seu par israelense, Binyamin Netanyahu, e pediu o fim dos atuais enfrentamentos “o mais rápido possível”.

“A chanceler condenou de novo com firmeza o contínuo lançamento de foguetes de Gaza contra Israel e assegurou ao primeiro-ministro a solidariedade do governo alemão. Ela reafirmou o direito de Israel de se defender desses ataques”, tuitou seu porta-voz, Steffen Seibert.

Escalada de violência

O Hamas iniciou os atuais confrontos no dia 10, após semanas de tensão em torno de um processo judicial para despejar quatro famílias palestinas em Jerusalém Oriental e em retaliação aos confrontos entre a polícia israelense e palestinos na mesquita de Al-Aqsa, o terceiro local mais sagrado do islã.

Israel reivindica toda Jerusalém como sua capital, um status geralmente não reconhecido por grande parte da comunidade internacional, enquanto os palestinos querem Jerusalém Oriental —capturada pelos israelenses na Guerra dos Seis Dias, em 1967— como a capital de um futuro estado.

Dentro do território israelense, o conflito foi acompanhado de violência entre as comunidades mistas de judeus e árabes do país, com sinagogas atacadas, e lojas de propriedade de árabes e judeus, vandalizadas. Também houve um aumento de confrontos na Cisjordânia ocupada. Ali, ao menos 15 palestinos foram mortos por tropas israelenses desde sexta-feira, a maioria dos quais durante confrontos.

Em um comunicado divulgado no sábado, Guterres, o secretário-geral da ONU, lembrou a todos os lados que “qualquer ataque indiscriminado a civis e estruturas da imprensa viola a lei internacional e deve ser evitado a todo custo”. As declarações de Guterres, assim como as ações de diplomacia dos EUA e do Egito, têm sido um esforço estéril para conter a violência dos últimos dias.

Hady Amr, enviado dos EUA, chegou a Israel na sexta-feira para negociações, e o presidente americano, Joe Biden, telefonou na noite de sábado tanto para o presidente israelense, Binyamin Netanyahu, quanto para o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas.

Qualquer mediação, no entanto, é complexa devido ao fato de os EUA e a maioria das potências ocidentais se recusarem a dialogar com o Hamas, que consideram uma organização terrorista. Abbas, que pertence ao Fatah, rival do grupo radical islâmico, tem sua base na Cisjordânia ocupada, exercendo pouca ou nenhuma influência em Gaza.

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