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Começa o funeral do príncipe Philip no castelo de Windsor

O príncipe Philip, do Reino Unido, será sepultado neste sábado (17), após um funeral com honras militares e público reduzido no castelo de Windsor, que fica nos arredores de Londres.

Marido da rainha Elizabeth 2ª, ele morreu aos 99 anos, no dia 9 de abril. Seu caixão foi levado de uma entrada do castelo até a capela de St.George. Familiares o seguiram, em uma pequena procissão a pé. A rainha fez o trajeto a bordo de outro veículo.

A cerimônia pode ser assistida ao vivo no YouTube da família real britânica. ​

O caixão foi transportado em uma caminhonete Land Rover verde militar, de aspecto simples, projetada de acordo com as instruções feitas por Philip, que pensou em uma parte traseira aberta para levar o caixão e até desenhou os pinos de metal que seguram o ataúde.

Por causa da pandemia, apenas 30 convidados foram permitidos, mas outras dezenas de militares e funcionários estiveram presentes na cerimônia. Eles ficaram posicionados em um pátio do castelo, com uniformes especiais, e mantiveram maior distância, por causa da pandemia.

O evento tem estilo militar, a pedido de Philip, que serviu como oficial da Marinha na Segunda Guerra Mundial e manteve laços estreitos com o Exército ao longo da vida. Representantes da Aeronáutica, Exército e Marinha estão presentes. O premiê britânico, Boris Johnson, disse que cedeu seu convite e assistiu ao funeral pela TV.

Às 15h (11h em Brasília), foi respeitado um minuto de silêncio em todo o Reino Unido em homenagem a Philip, antes do início da cerimônia fúnebre.

Na capela, além das orações, feitas por um religioso anglicano, quatro cantores interpretarão músicas escolhidas pelo próprio príncipe. Em seguida, o corpo do príncipe seria colocado em um cofre real.

Philip teve um funeral cerimonial, e não de Estado, geralmente reservados apenas ao monarca que comanda o país. A princesa Diana, morta em 1997, também teve uma homenagem cerimonial, por exemplo.

Devido à pandemia, as autoridades pediram aos britânicos que não fossem aos arredores de Windsor e que, em vez de levar flores aos pálacios, fizessem doações de caridade.

Além da rainha, participam do funeral o príncipe Charles, 72, herdeiro do trono, ao lado da mulher, Camilla, os príncipes William e Harry, com suas esposas e filhos. Também vieram os filhos da irmã da rainha, a princesa Margaret, já morta, e três parentes alemães de Philip.

O príncipe Harry, que vive na Califórnia, veio sem a mulher, Meghan Markle, que está grávida e não viajou por recomendação médica.

Harry e Meghan haviam se afastado da família real e abriram mão de seus deveres monárquicos oficialmente no começo deste ano. Em março, em uma entrevista na TV, o casal fez críticas à monarquia britânica. Meghan disse ter sido alvo de declarações racistas, como ter ouvido que membros da realeza britânica estavam preocupados com a cor da pele do primeiro filho deles. Foi a primeira vez que Harry apareceu em público, ao lado da família, após a exibição da entrevista.

A história do príncipe

hilippos Schleswig-Holstein Sonderburg-Glucksburg nasceu em 1921, na ilha grega de Corfu, em um lar marcado por infortúnios. Seu avô, o rei Jorge 1º da Grécia, foi assassinado. O primo, o rei Alexandre, morreu aos 27 anos de infecção após ser mordido por um macaco.

Ligada ainda à coroa dinamarquesa, a família de Philip foi forçada a se exilar quando ele ainda era um bebê após uma insurreição militar. Deixou a Grécia em uma caixa de frutas improvisada como berço. A mãe, surda, recebeu o diagnóstico de esquizofrenia.

Philip passou pela França e, depois, foi viver na Inglaterra com a avó materna, por sua vez neta da rainha Vitória (1819-1901) —o que faz dele um primo distante da rainha Elizabeth.

No Reino Unido, ele estudou e ingressou na Marinha. Em 1939, conheceu Elizabeth durante uma visita da princesa à academia naval britânica, na qual o então estudante foi destacado para ciceronear a herdeira do trono. Passaram a trocar correspondências.

Lutou na 2ª Guerra Mundial no Mediterrâneo e no Pacífico. Em 1943, salvou a própria vida e a de companheiros ao construir uma falsa embarcação que atraísse a atenção de um ataque aéreo alemão, permitindo que o destróier HMS Wallace, onde estavam os britânicos, escapasse.

Ao casar-se com Elizabeth, em 1947, Philip se naturalizou britânico, converteu-se à fé anglicana e abdicou de seus direitos a tronos estrangeiros. Virou duque de Edimburgo, o principal de seus muitos títulos, e se afastou das atividades da Marinha.

Como príncipe, passou décadas viajando pelo exterior e indo a eventos representando a monarquia e se dedicando a atividades filantrópicas. Foram mais de 22 mil cerimônias públicas. Em várias delas, cometeu gafes ao fazer piadas, parte delas de cunho racista.

Philip se aposentou da vida pública em 2017. Ele morreu no dia 9 de abril, após um período de internação hospitalar. A causa da morte não foi divulgada.

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