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Após motores perderem peças no ar, Boeing pede suspensão de voos com modelos 777

Depois de duas de suas aeronaves apresentarem falhas no motor no sábado (20) e deixarem cair destroços sobre áreas residenciais nos Estados Unidos e na Holanda, a Boeing pediu nesta segunda-feira (22) que as companhias aéreas suspendam o uso dos aviões modelo 777 com o mesmo tipo de motor.

De acordo com um comunicado da companhia, a decisão envolve os motores Pratt & Whitney PW4000. Segundo dados da empresa, há 69 aviões com esse modelo de motor em serviço e outros 59 estão atualmente parados, devido à queda na demanda por voos associada à pandemia de coronavírus.

A fabricante recomendou que as companhias aéreas suspendessem a operação com os Boeing-777 até que as agências reguladoras dos EUA identificassem o protocolo de inspeção apropriado para que os voos possam ser retomados com segurança.

Os aviões 777-200 e 777-300 afetados são mais antigos e menos econômicos do que os modelos mais novos e atualmente estão sendo operados por apenas cinco companhias aéreas: United Airlines, Japan Airlines (JAL), ANA Holdings, Asiana Airlines e Korean Air Lines. A maioria das empresas os está eliminando de suas frotas.

O ministério dos transportes do Japão se adiantou ao posicionamento da FAA (órgão regulador do setor aéreo nos EUA) e ordenou que a JAL, que opera 19 Boeing-777, e a ANA Holdings, com 13, suspendessem o uso da aeronave.

A Direção Nacional de Segurança nos Transportes (NTSB, na sigla em inglês) disse que uma inspeção inicial no avião de 26 anos que apresentou problemas em Denver indicou que a maior parte dos danos estava limitada ao motor direito, com apenas pequenos danos à aeronave.

O órgão acrescentou que a entrada e a carcaça se separaram do motor, e duas pás do ventilador foram quebradas, enquanto outras pás também tiveram danos.

A Pratt & Whitney informou que está em contato operadores e reguladores para coordenar um esforço de inspeção e revisão em seus motores.

Como foram os incidentes?

Em Denver, no Colorado, um avião sofreu uma pane no motor na asa direita e deixou cair destroços, mas fez um pouso de emergência em segurança pouco após a decolagem no sábado (20).

O voo 328, da companhia aérea United Airlines, tinha destino a Honolulu, no estado do Havaí. Nenhum dos 231 passageiros e 10 tripulantes ficou ferido.

A polícia de Broomfield, no estado do Colorado, publicou nas redes sociais fotos dos destroços do avião Boeing 777-200. Não houve feridos em solo.

“Se você encontrar destroços POR FAVOR não toque neles ou os mova. A @NTSB quer que todos os destroços permaneçam no lugar para investigação”, disse a polícia em uma publicação no Twitter.

Imagens publicadas nas redes sociais supostamente tiradas por passageiros do voo mostram um motor de avião em chamas. Não foi possível confirmar independentemente se as imagens se referem ao voo da United.

Neste domingo (21), a United Airlines anunciou que suspenderia, voluntária e temporariamente, seus 24 aviões ativos, horas antes do anúncio da Boeing.

Um incidente envolvendo um avião de carga Boeing 747-400 que deixou cair peças do motor após uma explosão no ar e um incêndio pouco depois da decolagem está sob investigação, de acordo com o Conselho de Segurança da Holanda.

O avião da empresa Longtail Aviation espalhou pequenas peças de metal sobre a cidade de Meerssen, no sul do país, provocando danos materiais e ferindo uma mulher, informou uma porta-voz do aeroporto de Maastricht, Hella Hendriks.

A aeronave, que viajava com destino a Nova York, era equipada com motores Pratt & Whitney PW4000, mas em uma versão menor do equipamento utilizado no voo de Denver.

No incidente holandês, testemunhas ouviram uma ou duas explosões logo após a decolagem, e o piloto foi informado pelo controle de tráfego aéreo que um motor estava pegando fogo, disse Hendriks.

“As fotos indicam que eram partes da lâmina do motor, mas isso está sendo investigado”, disse a porta-voz. “Vários carros foram danificados e pedaços atingiram várias casas. Pedaços foram encontrados em telhados, jardins e ruas em todo o bairro residencial.”

Dezenas de peças caíram, disse ela, medindo cerca de 5 centímetros de largura e até 25 centímetros de comprimento. A aeronave pousou com segurança no aeroporto de Liege, na Bélgica, cerca de 30 quilômetros ao sul da fronteira holandesa.

O Conselho de Segurança da Holanda informou que a investigação está em fase preliminar e que ainda é muito cedo para tirar conclusões.

Em nota, a Longtail Aviation também disse que é “muito cedo para especular sobre qual pode ter sido a causa do problema” e que está trabalhando com as autoridades holandesas, belgas, das Bermudas (onde a aeronave foi registrada) e do Reino Unido para investigar o incidente.

A suspensão anunciada pela Boeing aos modelos 777 não chega a ser um movimento obrigatório, mas é outra dor de cabeça para a empresa após a crise do 737 MAX.

Em 2018, um avião Boeing 737 MAX da companhia Lion Air decolou do aeroporto de Jacarta, na Indonésia, com 189 pessoas a bordo. Doze minutos depois, a aeronave caiu no mar de Java, ao norte da capital, sem sobreviventes.

O acidente foi o primeiro envolvendo a recém-lançada aeronave, última geração do modelo mais vendido da história. Desde então, uma segunda queda em circunstâncias semelhantes elevou para 346 o número de mortes em acidentes envolvendo o MAX, que teve os voos suspensos em março de 2019 e protagoniza a pior crise da Boeing.

A proibição durou 22 meses até que, em novembro, a FAA (órgão regulador do setor aéreo nos EUA) autorizou a retomada dos voos com o 737 MAX. Dias depois da aprovação americana, a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) também aprovou a retomada da operação do Boeing 737 MAX no Brasil.

Em janeiro, foi a vez da Agência de Segurança da Aviação da União Europeia (EASA) autorizar a volta do MAX aos ares, afirmando que tem “plena confiança de que a aeronave é segura”, mas que continuaria a monitrar as operações de perto.

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