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EUA adotam restrições para vistos de membros do Partido Comunista Chinês

Os Estados Unidos anunciaram novas regras para restringir viagens de membros do Partido Comunista Chinês e seus parentes diretos. A medida do governo Trump foi anunciada nesta quarta-feira (2) e pode ser mais um fator de tensão na crise diplomática com o país asiático.

A mudança, que tem efeito imediato, limita a duração do visto de viagem para um mês, de acordo com um porta-voz do Departamento de Estado. Anteriormente, membros do partido e seus familiares podiam obter vistos válidos por dez anos, assim como qualquer cidadão chinês.

A permissão também fica restrita a uma única entrada, em vez de várias. A nova medida se aplica somente a vistonão impede que membros do partido se candidatem para outros tipos de visto, como de imigração ou de trabalho. O porta-voz do Departamento de Estado acrescentou que nenhum visto atual seria revogado.

A mudança de política poderia afetar viagens de cerca de 270 milhões de pessoas. O governo estima que o Partido Comunista tenha cerca de 92 milhões de membros embora, na prática, possa ser difícil determinar quais são, além dos funcionários de alto escalão.

De acordo com as pessoas familiarizadas com as novas regras, as autoridades americanas podem fazer uma determinação sobre o status de alguém no Partido Comunista com base em seu pedido de visto e entrevista, bem como no entendimento local das autoridades sobre a filiação ao partido.

O porta-voz do Departamento de Estado classificou a mudança como uma “ação contínua de política, regulamentação e aplicação da lei em todo o governo dos EUA para proteger nação da influência maligna do PCC”.

“Por décadas permitimos o PCC acesso livre e irrestrito às instituições e empresas dos EUA, embora esses mesmos privilégios nunca tenham sido estendidos aos cidadãos dos EUA na China ”, disse.

A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Hua Chunying, condenou as novas restrições durante uma entrevista coletiva nesta quinta-feira (3). “Esperamos que as pessoas nos Estados Unidos adotem uma visão racional comum em relação à China e desistam de seu ódio e mentalidade anormal em relação ao Partido Comunista.”

As novas regras podem ser o primeiro passo na tentativa de rastrear sistematicamente os membros do partido de baixo escalão que visitam os Estados Unidos. As pessoas que tentarem ocultar sua filiação partidária enquanto solicitam um visto podem ficar expostas a acusações de fraude de visto se descobertas posteriormente.

Mesmo assim, as restrições são mais moderadas do que uma proibição total de viagens aos Estados Unidos por membros do partido, que o governo Trump chegou a discutir.

A mudança de política provavelmente causará retaliação de Pequim, embora as viagens entre a China e os Estados Unidos já tenham sido extremamente limitadas pela pandemia do coronavírus. Ainda no início da pandemia, em 31 de janeiro, Trump determinou a proibição de entrada nos EUA de estrangeiros vindos da China.

As restrições de visto e a provável resposta chinesa serão mais um desafio para Joe Biden que está herdando uma relação EUA-China em seu pior estado desde a normalização das relações diplomáticas em 1979.

Embora alguns possam esperar um restabelecimento das relações por parte de Biden, suas opiniões sobre a China se endureceram desde que ele foi vice-presidente do governo de Barack Obama. Biden parece estar comprometido em deixar em vigor muitas das medidas duras tomadas pelo governo Trump, incluindo tarifas e restrições à tecnologia chinesa

Durante o governo do republicano, o Departamento de Estado anunciou outras restrições de visto para várias categorias de cidadãos chineses. Entre eles estão funcionários pessoas que trabalham nos Estados Unidos para organizações de notícias chinesas controladas pelo Estado e funcionários considerados responsáveis ​​pela repressão política em Hong Kong.

Em maio, autoridades americanas disseram que o governo estava cancelando os vistos de estudantes chineses nos Estados Unidos que tinham ligações com certas instituições militares chinesas —eles são o maior grupo de estudantes internacionais do país.

Em 2014, os Estados Unidos e a China concordaram em 2014 em aumentar a duração dos vistos de turismo e negócio de um para dez anos, para ambos os lados. O acordo foi alcançado durante uma visita de Obama a Pequim, em uma época de relações mais calorosas entre as duas nações. Ao anunciar a nova política de vistos, a Casa Branca elogiou os benefícios para a indústria do turismo e do o comércio com a China.

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