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China está para bater os EUA com vacina em seu quintal, diz militar

No New York Times, “China prestes a ser a primeira a distribuir vacina na América Latina, diz autoridade dos EUA”. No jornal impresso, “China a caminho de bater os EUA”.

A autoridade é o chefe do Comando Sul, na Flórida, almirante Craig Faller. Ele ficou conhecido no Brasil ao apresentar o brigadeiro David Alcoforado para Trump, em julho, comentando: “Brasileiros pagando para ele vir aqui e trabalhar para mim”.

No destaque do NYT, “A China, que vem expandindo sua presença na região, deve derrotar os EUA em seu próprio quintal, enquanto Washington ‘busca cuidar dos EUA primeiro’”, citando frase de Faller.

Segundo o militar, sua função é monitorar “atores externos” na América Latina e conter a sua influência. “A competição de grandes potências está bem viva no hemisfério”, disse ele, no relato do NYT.

PAÍS MUITO MELHOR

O NYT manchetou a crítica que Anthony Fauci, uma das referências no combate à pandemia nos EUA, lançou contra a aprovação britânica da vacina Pfizer/Biontech. “Nós temos o padrão ouro de abordagem regulatória, o Reino Unido não fez isso com o mesmo cuidado”, disse ele.

Já um ministro britânico falou que seu país “venceu a corrida” por ter reguladores melhores. “Muito melhores que os franceses, muito melhores que os americanos. Não me surpreende, porque somos um país muito melhor que todos eles.”

SUPERFICIAL E FALSO

Também o Times de Londres manchetou, “Grã-Bretanha foi rápida demais para aprovar, diz especialista dos EUA”, chamando a atenção para um alerta de Fauci: “Se você faz [a aprovação] superficialmente, as pessoas não vão querer se vacinar”.

O financeiro francês Les Échos destacou, do episódio, o que outro ministro britânico falou —que o país teria aprovado a vacina rapidamente “graças ao brexit”, à saída da União Europeia. “Totalmente falso”, disse o francês. “Incorreto”, concordou o NYT.

SEGURA E EFICAZ

Na Alemanha, a mídia pouco noticiou a crítica ao “nacionalismo de vacina” do Reino Unido, apesar de ela ter sido criada pela alemã Biontech. Agências despacharam que o ministro alemão da saúde se limitou a dizer: “A ideia não é ser o primeiro e sim ter uma vacina segura e eficaz”.

Mas parte dos veículos alemães prefere chamar a vacina pela farmacêutica nacional, sem destacar a americana Pfizer. E sobram perfis do casal de médicos que a desenvolveu, publicados por Handelsblatt etc.

Uğur Şahin é imigrante turco e sua mulher, Özlem Türeci, filha de imigrantes turcos (acima, no Frankfurter Allgemeine Zeitung).

BIG TECH ENGORDA

No Wall Street Journal, “Google, Facebook e Amazon saem ganhando com remodelação dos gastos publicitários pela pandemia”. Mais especificamente, “pela primeira vez, mais da metade dos gastos nos EUA deve ir para as plataformas digitais”, segundo o grupo WPP, “maior comprador de publicidade do mundo”.

O mesmo WSJ noticiou que Facebook e Amazon já têm duas novas aquisições de empresas digitais encaminhadas, apesar das ameaças governamentais de combate à cartelização do setor.

MERKEL E O INTERESSE DA EUROPA

A chanceler alemã Angela Merkel segue na resistência às gigantes americanas. Segundo o Handelsblatt, ela cobrou das empresas do país que não deixem mais a identificação de seus usuários digitais para Google, Facebook e outras —e informou o desenvolvimento de uma alternativa estatal para isso.

Segundo a Reuters, ela também declarou, falando a parlamentares europeus: “Nós precisamos definir os nossos próprios interesses, e isso abrange um terreno comum [com a China] em política digital e muito mais”.

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