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Líder supremo do Irã promete retaliação por assassinato de cientista nuclear

O aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do Irã, prometeu neste sábado (28) retaliar o assassinato do principal cientista nuclear do país, morto em uma emboscada na sexta (27), elevando a ameaça de um novo confronto com países do Ocidente e com Israel.

Khamenei se comprometeu a continuar o trabalho de Mohsen Fakhrizadeh, apontado por países estrangeiros como o arquiteto de um programa secreto para construir bombas nucleares.

O líder supremo disse que o Irã nunca buscou ter armas atômicas, e publicou em uma rede social que as forças do país devem “perseguir e punir os autores deste crime e aqueles que o comandaram”.

O presidente iraniano, Hassan Rowhani, disse em uma reunião ministerial exibida na TV que a resposta virá “na hora certa”.

“De novo, as mãos malvadas da arrogância global e dos mercenários sionistas estão manchadas com o sangue de um filho iraniano”, disse, em referência a Israel, apontado por autoridades do Irã como suspeito pela morte.

De acordo com a mídia estatal do país, Fakhrizadeh foi alvejado por tiros enquanto viajava em um carro nos arredores de Teerã na sexta (27). Ele foi levado ao hospital, mas não sobreviveu aos ferimentos.

“O Irã retaliará com certeza. Quando e como depende de nosso interesse nacional. Isso pode ocorrer nos próximos dias ou semanas, mas ocorrerá”, disse uma autoridade iraniana à agência Reuters, sob sigilo.

Depois das ameaças, as embaixadas israelenses foram colocadas em alerta elevado, segundo o canal de notícias N12. O governo de Israel, a Casa Branca, o Pentágono e a CIA não quiseram comentar a morte do cientista.

Irã e Israel vivem em tensão há décadas, uma vez que o país persa dá apoio a grupos que disputam territórios com Israel, como o Hizbullah, do Líbano. Recentemente, israelenses atacaram forças militares do Irã na Síria, onde os iranianos dão apoio militar ao ditador Bashar al-Assad.

Israel é um forte aliado dos EUA, o que pode complicar os esforços do presidente eleito Joe Biden para retomar as relações com Teerã e recuperar o acordo nuclear desfeito por Donald Trump.

“Se o Irã tentar vingança, ou mesmo se não tentar, ficará difícil para Biden voltar ao acordo nuclear”, avalia Amos Yadlin, diretor do instituto israelense National Security Studies.

Nos últimos meses, Israel vem se aproximando de países árabes que se opõem ao Irã, como a Arábia Saudita, com os quais não possuía contatos diplomáticos. Em setembro, o país assinou acordos de normalização de relações com Emirados Árabes Unidos e Bahrein.

Segundo o The New York Times, Fakhrizadeh era o alvo número 1 do Mossad, o serviço secreto israelense. Ele era apontado como o chefe de um projeto secreto iraniano para dominar o processo de fabricar armas nucleares, segundo agências de inteligência dos EUA e de Israel.

O governo dos EUA avalia que o programa que buscava criar a bomba atômica iraniana foi oficialmente suspenso em 2003. No entanto, havia suspeitas de que o país continuava a desenvolver armas nucleares de modo secreto, e Israel era um dos países que mais desconfiavam disso. Entre 2010 e 2012, ao menos quatro cientistas iranianos foram mortos em ataques, atribuídos a forças israelenses.

Em 2015, Teerã aceitou um acordo para reduzir seu programa nuclear, assinado com os EUA —então sob comando de Barack Obama—, China, Rússia e países europeus. Em troca, obteve alívio de sanções econômicas.

Israel foi contra o acordo e seguiu espionando. Em janeiro de 2018, o Mossad invadiu um depósito em Teerã e roubou documentos que detalhavam o Projeto Amad, como o Irã chamava sua iniciativa nuclear havia cerca de 20 anos. Entre 50 mil papeis e documentos digitais, alguns citavam o envolvimento de Fakhrizadeh.

Três meses depois, o premiê israelense Binyamin Netanyahu apontou o cientista como chefe do projeto e o acusou de seguir com a busca de armas nucleares, de forma secreta. Ele mostrou os documentos em uma apresentação transmitida pela TV.

Netanyahu afirmou que esses documentos provariam que o Irã não estava cumprindo o acordo de 2015. Ele incitou Trump a deixar o tratado, o que ele fez pouco depois, em maio de 2018. Com isso, os Estados Unidos retomaram os bloqueios econômicos ao país.

Em janeiro deste ano, EUA e Irã quase entraram em guerra depois de o general iraniano Qassim Suleimani ser morto por um ataque americano no Iraque. Em seguida, o Irã disse que deixaria de cumprir os termos do acordo e avançaria com as pesquisas nucleares. A tensão entre os dois países esfriou depois que militares iranianos derrubaram acidentalmente um avião de passageiros, matando as 176 pessoas a bordo.

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