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Maduro diz ter se encontrado com Evo em viagem fugaz do ex-presidente boliviano a Caracas

O ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, disse em um pronunciamento transmitido pela TV estatal neste domingo (25) que se reuniu com Evo Morales durante visita do ex-presidente da Bolívia a Caracas.

O encontro não foi registrado oficialmente, e Maduro não deu detalhes sobre o motivo da visita, mas exibiu um livro que teria sido dado por Evo.

“Aqui está o presente que Evo Morales me trouxe. Evo me trouxe este presente, este livro, li de madrugada, li em seis horas”, disse o líder venezuelano durante o pronunciamento transmitido de uma praia na cidade de La Guaira, a cerca de 30 quilômetros de Caracas.

Segundo Maduro, o livro intitulado “Voltaremos e Seremos Milhões”, escrito por Evo, conta “os detalhes do golpe” na Bolívia e do exílio do líder indígena no México e na Argentina.

“Obrigado, Evo, por este livro que você me deu pessoalmente, muito obrigado”, disse Maduro.

O ex-presidente boliviano deixou Buenos Aires na última sexta-feira (23) rumo a Caracas, em um avião oficial do regime venezuelano, horas depois de Luis Arce, seu ex-ministro da Economia, ter sido eleito em primeiro turno como presidente da Bolívia.

Evo comandou o país por 13 anos e foi forçado a renunciar em novembro de 2019 sob pressão dos militares após denúncias de fraude no pleito em que tentaria obter seu quarto mandato.

Ameaçado, o líder indígena se exilou no México, onde ficou por algumas semanas, e depois foi para a Argentina, onde vivia com status de refugiado até a última sexta.

Após a vitória de Arce, Evo disse que pretende voltar à Bolívia, onde é alvo de processos judiciais que o acusam de terrorismo por estimular protestos violentos. O ex-presidente, entretanto, não divulgou uma data de quando retornará ao país.

Na última sexta, Evo disse que a confirmação da vitória de seu ex-ministro o era “a maior prova de que não houve fraude” no pleito de 2019. “Aqueles que denunciaram têm a obrigação de retirar essas denúncias. Deve-se colocar em liberdade todas as pessoas presas injustamente por esse motivo.”

A viagem do boliviano à Venezuela ocorre a pouco mais de um mês das eleições legislativas no país, em que os principais partidos de oposição a Maduro anunciaram boicote para não “colaborar com a estratégia da ditadura”.

Evo foi um dos principais aliados na América Latina de Hugo Chávez, que liderou o país de 1999 a 2013. Maduro também recebeu o apoio do ex-presidente boliviano, mas a relação amistosa entre La Paz e Caracas foi interrompida quando o líder indígena renunciou à Presidência da Bolívia.

Sob o governo da sucessora interina de Evo, Jeanine Añez, a Bolívia se juntou a outros cinquenta países, incluindo Brasil e Estados Unidos, que reconheceram Juan Guaidó, líder da oposição venezuelana, como presidente legítimo do país, após Maduro ter sido acusado de fraudes eleitorais.

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