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Carioca, vice-primeira-dama de estado dos EUA é atacada por racista no mercado

A carioca Gisele Barreto Fetterman, 38, queria kiwi. Não qualquer um: um tipo específico, o kiwi dourado, que só vende nesta época do ano.

Foi no domingo (11) ao mercado, que fica a três minutos de carro da sua casa, sem avisar ao time de seguranças que sempre a escolta. Tem direito a essa proteção por ser a segunda-dama da Pensilvânia —ela é casada com o vice-governador do estado americano, o democrata John Fetterman.

“Queria sair sozinha pra me sentir um pouco normal, ir ao mercado”, conta à Folha.

Na fila do caixa, a balbúrdia começou. Uma mulher a reconheceu e disse: “Ali está aquela negra casada com Fetterman. Você não pertence aqui. Ninguém te quer aqui”. Também a chamou de ladra, segundo Gisele.

Foi o primeiro episódio de racismo que sofreu “assim, na cara, em público”, ela afirma. Porque online as ofensas xenofóbicas e raciais são uma constante. “Recebo muitas mensagens de ‘volte pro seu país’, já disseram que minhas sobrancelhas são muito étnicas… Com esse tipo de coisa estou acostumada”.

A mulher a seguiu até o estacionamento e continuou a despejar injúrias raciais, diz a vice-primeira dama. Só que desta vez ela, já dentro de seu carro, Gisele levantou o celular e gravou a agressora.

“Só consegui pegar o finalzinho. Não me dou bem com confrontos, sou super ‘baby’, não sou forte, fico super nervosa e choro”, diz. E de fato chorou, conta.

Mas conseguiu anotar a placa do automóvel da racista. “Mandei pros seguranças, e eles já identificaram quem é.” De acordo com Gisele, há uma investigação em andamento agora.

Ela também postou a filmagem nas redes socias. No vídeo, dá para ver uma mulher que tira a máscara ao se aproximar do veículo e diz: “You’re a nigger” (você é uma negra). Nos EUA, “nigger” é usada como uma palavra ofensiva a afrodescendentes.

A brasileira tuitou que “ama, ama, ama este país”, mas que os Estados Unidos “estão profundamente divididos”. Então narrou sua ida ao mercado.

Gisele virou cidadã americana em 2009. Migrou aos oito anos de idade, trazida pela mãe, que deixou o Brasil “fugindo da violência”. Moravam em Jacarepaguá, na zona oeste do Rio.

Quatro anos atrás, ela descreveu à reportagem a saga da mãe, uma nutricionista “solteira, bem corajosa e bem doida” que 30 anos atrás pediu que ela e o irmão fizessem a mala um dia: sairiam numa aventura. Virou faxineira nos EUA.

Gisele também contou como teve três filhos com Fetterman, todos loirinhos, o que levava algumas pessoas a tomarem a mãe como babá.

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