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Microsoft negocia compra do TikTok enquanto Trump pensa em proibir aplicativo

A Microsoft está em negociações para adquirir o TikTok, aplicativo de vídeo de propriedade chinesa, segundo uma pessoa informada sobre as conversas, mas o presidente Donald Trump disse na sexta (31) que está considerando tomar medidas para efetivamente proibir o aplicativo nos Estados Unidos.

O TikTok conta com mais de 800 milhões de usuários ativos, tendo sido o mais baixado no primeiro trimestre de 2020. Ele permite que usuários publiquem e compartilhem vídeos curtos, geralmente cômicos.

Não está claro quão avançadas estão as discussões entre a Microsoft e o TikTok, mas qualquer acordo poderá modificar a propriedade do aplicativo, segundo a pessoa inteirada do assunto, que pediu o anonimato.

O TikTok é propriedade da ByteDance, companhia de internet chinesa avaliada em US$ 100 bilhões. Isso provocou uma investigação do app, e autoridades do governo Trump disseram que temem que ele constitua uma ameaça à segurança nacional.

O governo Trump está cogitando se ordena que a ByteDance se desfaça de ativos que adquiriu nos EUA em 2017, que mais tarde foram fundidos no TikTok. A agência Bloomberg relatou na sexta que o presidente anunciaria um decreto que obrigaria a ByteDance a vender as operações do TikTok nos EUA.

O governo Trump também está avaliando outros atos possíveis contra a empresa, incluindo acrescentar a ByteDance a uma chamada “lista de entidades” que impede que companhias estrangeiras comprem produtos e serviços dos EUA sem uma licença especial, segundo pessoas inteiradas do assunto.

“Podemos proibir o TikTok”, disse Trump a jornalistas na sexta. “Podemos fazer outras coisas. Há algumas opções.”

Representantes do TikTok não responderam a pedidos de comentários. Um porta-voz da Microsoft não quis comentar.

Legisladores e o governo Trump questionam cada vez mais se o TikTok é suscetível à influência do governo chinês, incluindo potenciais pedidos para censurar material publicado na plataforma ou compartilhar dados de usuários americanos com as autoridades chinesas.

O app está sendo investigado desde o final do ano passado pela Comissão de Investimento Estrangeiro nos EUA, painel federal que examina aquisições estrangeiras de firmas americanas sobre potenciais ameaças à segurança nacional.

O TikTok tentou apaziguar as preocupações do governo nomeando um americano para chefiar seus negócios no país. Em maio, contratou um alto executivo da Disney, Kevin Mayer, para seu presidente.

Executivos do TikTok discutiram outros cenários para aliviar os temores dos reguladores, incluindo um em que investidores americanos como Sequoia Capital e General Atlantic poderiam recomprar o TikTok da ByteDance, com a companhia chinesa retendo uma participação minoritária no app de rede social.

Recentemente, o secretário de Estado americano, Mike Pompeo, disse em uma entrevista que os dados de usuários do TikTok vão parar “nas mãos do Partido Comunista Chinês”.

Nas últimas semanas a Casa Branca ameaçou proibir o TikTok e outros apps chineses em nome, supostamente, da privacidade e da segurança nacional. A decisão pode ser um segundo golpe para o projeto de expansão internacional da ByteDance —em junho, em meio a uma tensão na fronteira entre China e Índia, os indianos bloquearam TikTok, Baidu e outros 57 aplicativos chineses por considerá-los “prejudiciais à soberania e integridade, à defesa do país, segurança de Estado e ordem pública”.

Um dos principais motivos para a preocupação americana é a Lei de Inteligência Nacional em vigor na China, que obriga as empresas do país a repassar qualquer informação que o regime demande —por isso Trump acusa essas empresas de serem espiãs a serviço do Partido Comunista Chinês, o que a ByteDance nega veementemente.

Na tentativa de reverter uma eventual proibição, o gigante chinês escalou uma equipe de lobistas e assessores para tentar convencer os EUA de que o TikTok não tem relação com o governo chinês e mostrar que nem mesmo os seus servidores estão instalados no país.

Investidores também foram acionados, como o SoftBank e a General Atlantic. A escalação, em maio, do americano Kevin Mayer, ex-diretor de streaming da Disney e residente em Los Angeles, como diretor-presidente do TikTok é outra peça da estratégia de defesa.

Com The New York Times, tradução de Luiz Roberto M. Gonçalves

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