Esporte

Enfermeiras entram no foco dos debates sobre Olimpíada

Continua no Japão o debate sobre possíveis efeitos danosos da pandemia do novo coronavírus (Covid-19) na Olimpíada de Tóquio, caso esta seja mesmo confirmada definitivamente, sem possibilidade de reviravolta, para começar em 23 de julho próximo.

Pesquisas com a população japonesa sobre a aprovação ou não da realização dos Jogos sob o inferno da pandemia no país já mostraram que os anfitriões não estão mais defendendo o evento com entusiasmo.

Parte deles virou contra, outra fatia quer o adiamento, hipóteses cuja soma torna majoritária a reprovação da Olimpíada em meados deste ano. Um segmento menor mantém a torcida pelas disputas em casa.

Para a cartolagem, adiamento é carta fora do baralho, levando-se em conta outras agendas do esporte, principalmente Olimpíada de Inverno em Pequim-2022, Copa do Mundo de Futebol no Catar-2022 e Jogos Olímpicos de Verão em Paris-2024.

O Japão iniciou a vacinação dos seus habitantes um pouco atrasado, na segunda metade de fevereiro, e não conseguiu acelerar o processo. Quanto aos Jogos, no entanto, os cuidados são mais largos, pois cobrem também as delegações visitantes (mais de 200), congressistas esportivos, dirigentes e autoridades em geral, além de jornalistas.

Providenciar medidas de segurança para esse contingente de pessoas exige projeto minucioso, tão espetacular que pode ser considerado como façanha. Basta apenas uma das incontáveis complicações para se ter a dimensão dos detalhes enfrentados pela organização. Exemplo na área da saúde: arregimentação de pessoal qualificado para o trabalho de enfermagem durante os Jogos.

Com a expectativa de que 10.000 profissionais de saúde apoiem a competição, o comitê organizador planejou garantir 500 enfermeiras adicionais para os Jogos Olímpicos e Paraolímpicos.

O pedido parecia normal, e natural quaísquer discussões para sua aprovação. Entretanto está dando causa a protestos e muitas críticas. O secretário-geral da Federação Japonesa de Sindicatos de Trabalhadores Médicos, Susumu Morita, discorda radicalmente do comitê organizador.

De acordo com a Associated Press, ele disse que o foco deveria ser a grave pandemia, não a realização dos Jogos. O Japan Times relatou que uma hashtag do Twitter, traduzida como “Não podemos ter enfermeiras enviadas para as Olimpíadas”, se tornou um tópico de tendência em resposta no Japão.

Os organizadores e os membros do COI (Comitê Olímpico Internacional), por sua vez, defendem ferrenhamente a Olimpíada. É o caso de Toshiaki Endo, vice-presidente do comitê organizador. Ele confia nas medidas contra o coronavírus e afirma que os organizadores não estão levando em consideração a possibilidade de cancelamento do evento.

Os atletas deverão ser testados para Covid-19 diariamente ao longo da competição de acordo com os planos mais recentes. Os participantes dos Jogos serão obrigados a fazer dois testes dentro de 96 horas antes de voar para o Japão. A presença de público nos estádios –reduzida e apenas de residentes no Japão– continua incerta.

O gigantismo da Olimpíada atraiu as atenções do mundo nas últimas décadas, movimentando milhões de dólares. Aquele “esquenta evento”, noticiário pré-competição, desta vez anda sumido. A pandemia tomou conta do cenário, ofuscando as estrelas mundiais do esporte.


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