Esporte

Diabos Vermelhos protestam contra excesso de mercantilização do futebol

O maior clássico do Reino Unido, Manchester United x Liverpool, não pôde ser disputado porque os Red Devils invadiram o santuário de Old Traffford em protesto contra a família norte-americana, os Glazers, que controla o clube desde o começo do século, mais exatamente desde 2005.

As relações entre os empresários e os torcedores nunca foram pacíficas, mas a enxurrada de títulos do clube apaziguou os ânimos, basta dizer que de lá para cá o time foi campeão mundial, da Champions, da Liga Europa, da Premier League (5 vezes), da Copa da Inglaterra, da Copa da Liga (4 vezes) e da Supercopa (6 vezes). Ou seja, 19 taças em 16 anos.

Não foi o desempenho do futebol, portanto, que levou centenas de torcedores, em plena pandemia, ao protesto.

O estopim aproveitado pelos Diabos Vermelhos, embora de verde e amarelo, foi a desastrada ideia da Superliga.

Os vermelhos, no caso, não são comunistas, nem mesmo anticapitalistas, e o verde e amarelo são as cores originais do clube.

Protestaram contra o excesso de mercantilização do futebol neste momento em que o mundo fala em solidariedade e 12 clubes milionários propuseram um torneio sem classificação por mérito esportivo e sem acesso e descenso.

Faixas e cartazes apareceram com os dizeres “50%+1”, alusão ao modelo alemão de gestão (com duas exceções), que determina a maioria das ações sempre em poder do clube.

De fato é inimaginável pensar que o Flamengo tenha um dono, que alguém possa se assenhorar da paixão de tantos para fazer o que bem entender.

Daí, diante da necessidade de modernizar o modelo de administrar clubes de futebol, discutir-se no Brasil a ideia da Sociedade Anônima Futebolística (SAF), por meio da qual é o clube que tem o poder de determinar, em seu estatuto, a porcentagem a que os acionistas terão direito.

Porque as coisas são mais complicadas do que aparentam.

A rara leitora e o raro leitor investiriam seu suado dinheiro, digamos, para alguém como Andrés Sanchez administrar?

Por outro lado é aceitável pensar que o Corinthians tenha um dono, como até um dia se cogitou na figura do mafioso russo Boris Berezovsky?

As duas respostas parecem óbvias e… antagônicas.

Porque clubes de futebol são entidades privadas de interesse público e assim precisam ser geridos, estabelecidos os controles por quem de direito, não necessariamente em lei que engesse a gestão e desestimule o investidor.

É adorável a frase “ódio eterno ao futebol moderno”, por tudo que traduz da memória afetiva do torcedor.

Tão adorável como impraticável desde que caiu o Muro de Berlim, algo que muitos que ainda estão chegando a pé de Woodstock não conseguem entender, embora com a melhor das intenções.

Pois até a noção de elitismo no futebol admite controvérsias: elitista é quem quer proteger o Palmeiras e seus milhões de torcedores ou o Mirassol e sua torcida que cabe numa Kombi, com todo respeito?

Cabem os dois, em ambientes diferentes, cada um no seu quadrado.

Kirrata

Na coluna “Jovens corintianos se perguntam por que o clube se desmanchou”, do dia 25, há erro importante devido à troca de palavras: onde se leu “tomando de 7 a 2 do Flamengo”, leia-se “fazendo 7 a 2 no Flamengo”.

A ideia era mostrar que em 1961, o Corinthians começou o ano goleando e o terminou goleado, pela Portuguesa, por 7 a 0, e apelidado de “Faz-me rir”.

Traição que nem Freud explica.


LINK PRESENTE: Gostou desta coluna? Assinante pode liberar cinco acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.

Continue lendo

Artigos relacionados


 
Botão Voltar ao topo