Esporte

Covid-19 cada vez mais encurrala Olimpíada de Tóquio

O Japão continua pressionado a tomar uma decisão muito delicada sobre o maior encontro esportivo internacional do planeta, os Jogos Olímpicos de Tóquio. Por causa do surgimento e da expansão da pandemia da Covid-19, a competição na capital japonesa foi adiada do ano passado para julho deste ano.

Agora corre risco, em posição ainda mais delicada, para confirmar o evento, pois a pandemia ganhou força e aterroriza todos os países. A caótica situação reduz a empolgação dos torcedores em geral e prejudica os próprios atletas, que estão se preparando sob esse clima de incerteza, que deve influir negativamente nos treinamentos.

Restando apenas cinco meses e alguns dias para a cerimônia de abertura dos Jogos, apenas os polos interessados diretamente —o governo e os organizadores japoneses e o COI (Comitê Olímpico Internacional)— tentam mostrar um lado mais otimista, mas sem argumento forte para convencer que o evento será confirmado e disputado em segurança.

Os organizadores do evento também são contraditórios quando deixam escapar algumas informações. Eles não têm culpa da pandemia e acabam em fogo cruzado. Nesta segunda (18), por exemplo, afirmaram que, devido à pandemia, vão reduzir o número de atletas nas cerimônias de abertura e encerramento. Uma pancada no sonho de muitos competidores, sendo que em Tóquio são esperados cerca de 11 mil atletas.

Essa imagem nebulosa começa a estimular o surgimento de boatos, como o da semana passada de que estaria sendo marcada uma reunião para fevereiro sobre eventual cancelamento dos Jogos. Os organizadores desmentiram a informação.

Não bastassem os entraves do dia a dia, relatos sobre a possibilidade de cancelamento ganharam impulso quando o ministro da reforma administrativa e regulatória do Japão, Taro Kano, deu versão confusa, mais tarde contornada com esclarecimentos do governo, sobre os Jogos. Foi a primeira vez que um membro do alto escalão governamental provocou espanto com suas declarações sobre o tema.

Assim, o martelo sobre a realização ou não da Olimpíada deve ser batido mesmo em março. Por sua vez, o plano de emergência por causa da pandemia, inicialmente acionado por Tóquio e algumas cidades vizinhas, acabou adotado também por outras regiões atingidas pela crise. A gravidade da situação impossibilita tapar o sol com peneira.

Caso a Olimpíada seja confirmada, também não se sabe se torcedores poderão acompanhar as disputas nas arenas. A decisão sobre essa questão navega como um pedaço de madeira em alto mar, sem direção. Mas quem comprou ingresso antecipado e está desistindo de ir aos Jogos pode solicitar reembolso.

A pandemia tumultua intensamente o mundo dos esportes. O Aberto da Austrália, o primeiro Grand Slam da temporada, segue com sua programação pré-competição, mas deixou tenistas irritados. Setenta e dois deles e suas equipes tiveram de se isolar, forçados a uma quarentena, em Melbourne, devido a casos positivos em seus voos fretados.

No Brasil, a morte do presidente da CBCa (Confederação Brasileira de Canoagem), João Tomasini Schwertner, em virtude de complicação da Covid-19, foi um daqueles episódios que aumenta a apreensão de esportistas com a crise de saúde.

O ex-vice-presidente do COI Kevan Gosper avaliou que a pandemia foi além de uma questão relacionada ao esporte. Por isso, ele sugeriu que a organização poderia buscar conselhos das Nações Unidas na determinação da realização dos Jogos.

Uma recente pesquisa da Kyodo News no Japão revelou que cerca de 80% dos habitantes do país desejam que os Jogos, tanto os Olímpicos como, logo a seguir, os Paraolímpicos, sejam cancelados. Os japoneses são os donos da festa, eles devem saber o que querem e o que podem oferecer.


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