Esporte

A nova rainha das embaixadinhas

Você se lembra de Milene Domingues? Se tem 30 anos ou mais, é possível que sim.

Ela era conhecida como a rainha das embaixadinhas. Ganhou esse apelido pelo talento em controlar a bola sem deixá-la cair no chão, e pela resistência em fazer incessantemente essa atividade. Que parece fácil, mas não é.

Em 1997, ano em que atingiu a maioridade, Milene entrou no Guinness Book por fazer 55.197 embaixadinhas em 546 minutos. Não encontrei vídeo desse momento (seria um longo vídeo, aliás), mas, se entrou no Livro dos Recordes, deve haver documentação do feito.

Dois anos depois, ela tornou-se ainda mais famosa ao se casar com Ronaldo Fenômeno, que já era campeão mundial (EUA-1994) e voltaria a sê-lo em 2002 (Coreia/Japão). Os dois, que ficaram juntos até 2003, tiveram um filho, Ronald.

Milene Domingues, conhecida como a rainha das embaixadinhas, quando tinha 17 anos (Beto Garavello – 17.set.1996/Folhapress)

Pois eis que alguém, por um ato recente, merece ser alçada ao posto de rainha das embaixadinhas do século 21.

Na Inglaterra, a menina Imogen Papwoth-Heidel idealizou um projeto que, baseado na execução de embaixadinhas, arrecadasse fundos para causas sanitárias, incluindo o combate ao coronavírus.

No mundo, a pandemia já matou, até esta segunda (11), mais de 1,9 milhão de pessoas –no Brasil, mais de 203 mil; no Reino Unido, quase 81,5 mil.

Por meio da Just Giving, plataforma social para angariar doações financeiras, Imogen propôs  atingir a meta de 7,1 milhão de embaixadinhas, o mesmo número dos trabalhadores em setores essenciais no Reino Unido, na contagem de abril de 2020.

A ideia da garota de 11 anos mobilizou cerca de 2.000 pessoas. Afinal, se Imogen tivesse que dar conta sozinha, levaria anos.

Os colaboradores filmaram suas embaixadinhas e enviaram os vídeos aos pais de Imogen, que, em trabalho exaustivo, tornaram-se os responsáveis pela contagem de toques.

Jogadores famosos, como o atacante Marcus Rashford, do Manchester United, e a lateral Lucy Bronze, do Manchester City, participaram.

Esse montante de gente fez, ao todo, 5.976.414 embaixadinhas. O restante (1.123.586), a responsável foi a própria Imogen, num período de 195 dias seguidos (ou seis meses e meio), durante o lockdown e as férias de verão.

A iniciativa dela sensibilizou dezenas de doadores (precisamente 776), entre pessoas físicas e jurídicas, e a arrecadação chegou a £ 14.470 (R$ 84,65 mil, pelo câmbio atual).

Não muito considerando-se a dimensão da pandemia, mas o suficiente para ajudar nove instituições, entre as quais a NHS Charities Together (apoio ao Serviço Nacional de Saúde) e a Mind (saúde mental).

Das últimas 3.000 embaixadinhas do desafio a própria Imogen cuidou.

Aconteceram no Abbey Stadium, em Cambridge, no leste da Inglaterra, perto de Hauxton, onde a torcedora do Arsenal vive.

Seu objetivo foi concluído já faz um tempinho, no começo de novembro, mais precisamente no dia 4, mas vale, e muito, o registro.

Em tenra idade, Imogen fez o que a maioria dos habitantes do mundo não fará a vida inteira: uma campanha para ajudar quem precisa.

Criativa, persistente e solidária que foi, merece, sim, ser coroada a nova rainha das embaixadinhas.

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