Esporte

São Paulo ficou trancado pela boa estratégia do Corinthians

​O São Paulo quebra alguns dogmas do futebol recente, como de não se poder mais jogar com um losango no meio-de-campo. O time inteiro se molda em quartetos que se espalham por todo o campo. Quando tem a bola, Gabriel Sara se aproxima da dupla de ataque formada por Luciano e Brenner. Quase um terceiro atacante.

Normalmente é assim.

Contra o Corinthians, foi impossível fazer isso pela maneira como Vágner Mancini definiu sua marcação. A começar pela saída de bola são-paulina.

Daniel Alves, Igor Gomes e Luan se revezavam na missão de auxiliar os zagueiros para o primeiro passe. Nos primeiros dez minutos, Gabriel e Cantillo se aproximavam da área defensiva do São Paulo junto com eles.

Ficou muito mais difícil a construção das jogadas.

Dos sete desarmes corintianos no primeiro tempo, quatro aconteceram no ataque. De cada três passes são-paulinos errados, um era na defesa.

A formação em losangos, como a do meio-de-campo (veja ilustração), raras vezes conseguia oferecer três chances de passe para os jogadores tricolores.

Gabriel Sara, o mais ofensivo do meio-de-campo, só chegou perto da finalização, como ponta-de-lança, aos 16 minutos da primeira etapa, quando arrastou a bola desde a defesa até o chute para fora.

Fora isso, só em cobranças de falta.

O Corinthians tratou de quebrar as opções de passe, diminuir os espaços e, consequentemente, deixou o líder do Brasileiro com jogadores tentando jogadas individuais. Ficou difícil entrar na área. De 13 finalizações do São Paulo, 8 foram de fora da área.

E os passes errados cresciam.

Foi o que aconteceu com Reinaldo, no 25º minuto. Ao perder a chance de lançar Igor Gomes pela esquerda, o lateral tentou o toque para o meio.

Deu no pé de Cantillo. O colombiano percebeu todo o time de Fernando Diniz no ataque. Só Bruno Alves atrás do meio-de-campo. Não chegou em tempo de desarmar Otero, que marcou 1 a 0.

Ficou ainda mais difícil para o São Paulo quando Luciano pediu para ser substituído, aos 42 da primeira etapa. Terceiro colocado na tabela de goleadores do Brasileiro, ele participa de um a cada três gols do líder do campeonato. Há muito tempo, Pablo não consegue rendimento igual.

A estratégia corintiana da subida dos volantes para desarmar no ataque voltou no início da segunda etapa. Aos 6 minutos, Daniel vacilou, Gabriel deu o bote e Raphael Claus mostrou amarelo para o são-paulino.

O São Paulo foi murchando à medida em que a partida chegava aos minutos finais. O Corinthians seguia sua estratégia. Parecia fazer o campo diminuir agrupando jogadores.

Vágner Mancini conhece Fernando Diniz. São amigos. Entra um pouco em sua mente, entende sua maneira de montar equipes. Também conhece o elenco são-paulino. Dirigiu o time no Paulista de 2019 e deu o último treino antes de os jogadores pedirem a contratação de Diniz, há 14 meses.

Entendeu que a pressão no homem da bola, a diminuição do espaço e as saídas rápidas seriam o caminho para dificultar a vida do líder. Conseguiu.

Agora, o São Paulo tem caminho duríssimo. Atlético-MG no Morumbi e Fluminense, no Maracanã. O Brasileiro continua imprevisível.

CUIDADO

O Palmeiras poupou titulares e jogou bem contra o Bahia, mas há um cuidado necessário contra o Libertad. O time paraguaio melhorou depois da troca de treinador e não perde há sete partidas. Não vai ser um jogo simples, como muitos têm feito parecer.

SAÍDA DE JOGO

Cuca preservou nove titulares do jogo contra o Grêmio, na derrota para o Flamengo por 4 a 1. Seu maior defeito foi a saída de jogo. Dos 31 passes errados, 19 foram no campo defensivo. Em parte, forçados pelo Flamengo, que fez metade de seus desarmes no ataque.

Continue lendo

Artigos relacionados


 
Botão Voltar ao topo