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Transmissão do velório de Maradona mostra desespero de fãs e clima de estádio

Com o velório de Diego Armando Maradona na Casa Rosada transmitido ao vivo no YouTube, foi possível acompanhar virtualmente a reação de muitos fãs diante do que para eles se transformou num adeus a uma divindade.

O caixão foi exposto em um dos salões do edifício histórico, a cerca de um metro do público e com separação por gradil.

Sobre ele estavam uma bandeira da Argentina e duas camisas: uma do Boca Juniors, clube em que o craque teve duas passagens e é ídolo, e outra da seleção do país, ambas com o número dez virado para cima.

Ao entrar na sala onde estava o corpo do jogador, os torcedores não podiam parar de andar. Muitos, porém, não obedeceram a regra.

Durante uma hora, a reportagem da Folha acompanhou a reação de todos os que entraram no local. Centenas de pessoas se jogaram na grade para mandar suas últimas mensagens ao craque e tiveram de ser retiradas pelos seguranças.

Como dezenas de outros fãs, um homem entrou em desespero. Diante do ídolo, ele chorou, gritou, colocou as mãos na cabeça e jogou uma camisa da Argentina sobre o caixão antes de ser levado para fora do recinto, aos prantos. A cena aumentou a comoção das pessoas no local, que começaram a aplaudir efusivamente.

Outro homem preferiu fazer o curto percurso de joelhos e com os dedos indicadores apontados para o alto, como se estivesse pagando uma promessa para “El Dios”, como era conhecido Maradona. Também foi retirado do local por seguranças.

Milhares de pessoas choraram no salão. Muitas mandaram beijos, fizeram sinal de tchau e de positivo com o polegar e ergueram o punho com a mão cerrada.

Houve gente que levou cartazes e fotos de Maradona ou faixas da Argentina e de clubes de futebol. Uma torcedora abriu diante do caixão uma bandeira da Argentina com o rosto de Che Guevara, revolucionário admirado pelo craque.

Emocionados, torcedores deixaram a rivalidade de lado ao menos durante o velório. Pessoas com camisas da seleção argentina e do Boca Juniors eram maioria, mas dividiam o espaço com fãs de vários outros clubes. Uma torcedora também apareceu com a camisa do Palmeiras.

Os xeneizes, como são conhecidos os fãs do Boca, ficaram lado a lado com os do River Plate, seus maiores rivais. Algumas pessoas agitavam bandeiras e camisas como se estivessem em um estádio de futebol.

“Olê, olê, olê, olê, Diego, Diego”, cânticos das arquibancadas foram entoados de tempos em tempos. Gritos com as frases “gracias por todo” (obrigado por tudo) e “hasta siempre” (até sempre) também puderam ser ouvidos em vários momentos.

Todas que entraram no salão onde estava o corpo do ex-jogador usavam máscara de proteção, mas muitas abaixavam a peça diante do caixão para gritar expressões de amor e despedida. Algumas pessoas tiraram as próprias camisas ou colares e jogaram na direção de Diego.

A cerimônia foi considerada polêmica por aglomerar pessoas em meio à pandemia do coronavírus. Do lado de fora, milhares de fãs disputavam lugares nas filas para se despedir do ídolo. Um portão que dava acesso ao local foi aberto para permitir a passagem de apenas uma pessoa por vez, sob forte vigilância policial.

O velório estava previsto inicialmente para terminar às 16h, mas foi estendido diante da massa de fãs que aguardavam nas filas. Com confusão, porém, a visitação foi interrompida, e o caixão retirado do local.

Diego Maradona morreu nesta quarta-feira (25), aos 60 anos. O ex-jogador se recuperava de uma cirurgia na cabeça. A causa da morte ainda não foi confirmada.

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