Esporte

São Paulo tem tropeço normal para um time tão jovem

O São Paulo não jogou bem contra o Vasco, sofreu o gol de Germán Cano num erro grave de posicionamento de Bruno Alves e buscou a reação depois do gol de Luciano. Apesar da atuação instável, o time de Fernando Diniz parece ter, hoje, uma arma que não possuía desde 2014, quando foi vice-campeão brasileiro: estabilidade.

Tem o mesmo técnico há 14 meses, o mesmo diretor de futebol há três anos e o mesmo elenco desde a chegada de Fernando Diniz.

Luciano foi a única contratação deste ano. Contraste com o clichê que sempre aparece nas crises de grandes times: “Precisa de reforços”. O São Paulo precisava mais de paz do que de contratações, e tranquilidade é um artigo de luxo num clube sem troféus desde 2012.

Contra o Vasco, foi difícil furar o bloqueio do sistema 5-4-1, montado pelo técnico português Sá Pinto. Daniel Alves errou passes que ousou, mas acertou 95%. Nada mal. Às vezes, falta movimentação para quebrar sistemas defensivos sólidos.

É impossível dizer que a fase atual levará aos títulos da Copa do Brasil e do Brasileiro. Sabe-se apenas que a direção resistiu à troca depois das eliminações precoces no Paulista, na Libertadores e Sul-Americana.

Não pode ser culpa de Fernando Diniz se o São Paulo coleciona eliminações há oito temporadas, contra Penapolense, Bragantino, Defensa y Justicia, Colón, Talleres, todas essas no Morumbi e antes da chegada do treinador.

Diniz começa a ser visto como aquilo que é: um ser humano. Nem redentor do futebol ofensivo do Brasil, nem professor pardal, que tenta invenções absurdas. Como todo técnico do planeta, insiste no que acredita. A saída de bola pelo meio, por exemplo. Ela dá sustos. Aos 38 segundos do jogo contra o Vasco, Bruno Alves assustou. Sempre parece preferível sair pelos lados, como preferem. Mas é inegável que sua estratégia deu resultado.

O segundo gol contra o Palmeiras nasceu de saída pela faixa central e após 14 passes em 40 segundos. O gol de Brenner pela Copa do Brasil, no Maracanã, contra o Flamengo, começou com saída de jogo pelo meio que fez a bola chegar a Gabriel Sara e dele para Brenner.

O São Paulo de hoje é mais menino do que o time dos Menudos. Aquele tinha cinco titulares da base, mas Márcio Araújo já tinha 25 anos e o lateral Nelsinho estava com 23. Hoje, Diego, Luan, Igor Gomes e Sara têm 21 anos, e Brenner, 20.

A grande qualidade desse time é a juventude, e o grande risco, a inexperiência. Não vai ser fácil o confronto contra o Grêmio pela Copa do Brasil e será necessário ter calma quando acabar a série invicta. Sempre termina, numa corrida de obstáculos como é o Brasileiro.

O tropeço contra o Vasco tira um pouco da confiança para a pequena excursão ao Nordeste: jogo atrasado contra o Ceará e pela 23ª rodada, contra o Bahia.

Perdeu a chance de encostar no Atlético-MG e Flamengo, mas segue sua caminhada de crescimento. Como qualquer time tão jovem, vai jogar uma partida muito boa e outra ruim. O desafio de Diniz agora não é montar o time. Ele montou. É conduzir os garotos ao título, da Copa do Brasil ou do Brasileiro.

Risco Covid

A sorte no cruzamento da Libertadores contrasta com os casos de Covid terem explodido na semana das oitavas de final. Abel Ferreira fez um time seguro e não merecia perder do Goiás. No Equador, contra o Delfín, ele deve montar um 3-4-3 para tentar pelo menos o empate.

Contraponto

É muito bom sair com bola no chão, como faz o São Paulo. Tem limite, como mostra o áudio de Diego Alves, do Flamengo, desesperado depois de recuo de Léo Pereira: “Ô, Léo… vai… chuta essa bola para a frente, c…” Diego chutou, para não correr riscos como o de Hugo, na Copa do Brasil.

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