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Pelé debutou na Folha aos 15 anos, em goleada do Santos sobre um Corinthians

Pelé era um garotinho quando apareceu pela primeira vez na Folha. O rei do futebol, que vai completar 80 anos nesta sexta-feira (23), teve seu nome publicado ao marcar o gol inaugural de sua impressionante lista de 1.282 bolas na rede.

O feito foi registrado na edição de 8 de setembro de 1956 da Folha da Manhã. No dia anterior, o adolescente de 15 anos, ainda chamado por muitos de Gasolina, contribuiu para a vitória por 7 a 1 do Santos sobre o Corinthians de Santo André.

Naquele 7 de setembro, no amistoso realizado em Santo André, Edson Arantes do Nascimento foi o responsável pelo sexto gol do time praiano. Era a estreia como profissional de um menino que pouco depois seria chamado de rei e teria papel importante no título mundial do Brasil em 1958.

Registrando que “o Santos treinou”, como dizia o título do breve texto sobre a partida, a Folha da Manhã apontava que o jogo, realizado em uma sexta-feira, era “um exercício com vistas ao prélio de domingo”. No final de semana, a formação alvinegra derrotaria o XV de Jaú por 3 a 1, em Jaú, pelo Campeonato Paulista.

Mas o jogo da competição estadual –que o clube da Vila Belmiro conquistaria– teve importância histórica bem menor do que o amistoso. O que ficou para a posteridade foi aquela jornada no Américo Guazzelli, um estádio do ABC paulista que já não existe mais.

“A renda atingiu cerca de 39.000 cruzeiros. Boa a arbitragem do sr. Abílio Ramos”, descreveu a Folha da Manhã, que registrou a escalação alvinegra no confronto: Manga; Helvio e Ivã; Ramiro (Fioti), Urubatão e Zito; Alfredinho, Alvaro, Del Vecchio, Jair e Tite (Pelé).

O goleiro vazado pelo futuro rei foi Zaluar Torres Rodrigues. Ele entrou durante a partida, substituindo Antoninho, titular do Corinthinha, como era chamado o Corinthians andreense, e se tornou o primeiro dos tantos batidos até o milésimo gol, feito em Andrada, do Vasco, em 1969.

A escalação do Santos naquele jogo é registrada com algumas diferenças pelo departamento de história do clube. Nos documentos da agremiação da Vila Belmiro, aparece que Pelé substituiu Del Vecchio em Santo André, não Tite.

Não há dúvida, porém, de que o garoto tenha marcado o sexto gol do fácil triunfo alvinegro, que valeu o Troféu Independência, oferecido pela prefeitura andreense. Foi o primeiro de 1.091 com a camisa da equipe praiana, pela qual ele disputaria um total de 1.116 partidas.

Campeão estadual naquele 1956, Pelé repetiria a conquista em 1958, 1960, 1961, 1962, 1964, 1965, 1967, 1968, 1969 e 1973. Pelo Santos, levou ainda quatro edições do Torneio Rio-São Paulo (1959, 1963, 1964 e 1966) e outra do Torneio Roberto Gomes Pedrosa (1968) quando o Rio-São Paulo passou a incluir equipes de outros estados.

Hoje unificado pela CBF com o Campeonato Brasileiro, o Robertão é uma das seis conquistas nacionais do craque no time alvinegro. Ele também triunfou cinco vezes na Taça Brasil (1961, 1962, 1963, 1964 e 1965), além de vencer duas vezes a Copa Libertadores e o que os brasileiros chamam de Mundial Interclubes, em 1962 e 1963.

O craque foi ainda tricampeão mundial pela seleção brasileira, em 1958, 1962 e 1970, e levantou troféus no período em que defendeu o Cosmos, nos Estados Unidos, no fim de sua carreira, entre 1975 e 1977. O primeiro passo foi registrado na Folha da Manhã de 8 de setembro de 1956.

Este texto faz parte da série Primeira Vez, que mostra quando temas e personagens estrearam nas páginas do jornal.

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