Esporte

Messi se vê menos obstinado em fazer gols, e isso já é realidade

“Hoje me vejo menos obcecado em fazer gols e busco contribuir o máximo com o coletivo.”

Palavras de Lionel Messi, um dos maiores artilheiros deste século, à revista argentina “A Garganta Poderosa”, ligada a movimento social que dá voz às camadas mais humildes da população do país vizinho.

E essas palavras já são realidade no Barcelona, clube que o atacante de 33 anos defende desde a adolescência e do qual quis se desligar neste ano, sem sucesso.

A temporada 2019/2020 foi a menos goleadora de Messi (31 gols em 44 jogos por torneios oficiais) desde a de 2007/2008 (16 gols em 40 jogos), quando ele tinha 20 anos e iniciava sua caminhada de glória na Catalunha.

A queda na fome por bola na rede de Messi mostra-se evidente na comparação com temporadas anteriores.

A partir de 2008/2009, somente em três delas o camisa 10 anotou, considerando apenas o Campeonato Espanhol, menos gols que os 31 de 2019/2020 em quatro competições (Espanhol, Copa do Rei, Supercopa da Espanha e Liga dos Campeões da Europa).

Por exemplo, em 2011/2012 Messi marcou, só no Espanhol, 50 gols –em 2012/2013 foram 46, e em 2014/2015, 43.

Mas não é natural o número de gols cair com o passar do tempo? Sim, é. Mas a redução é fruto também de o posicionamento do astro no Barcelona ter mudado.

Passou a atuar não tão próximo do gol adversário, o que lhe dava mais chances de finalizar, e passou a armar mais a equipe, tornando-se um articulador.

Nessa função, aliás, Messi passa a executar com competência o que afirma almejar: colaborar coletivamente com o Barcelona.

E nesse quesito seu sucesso é corroborado pelo número de assistências, os passes que resultam em gols.

O site Infogol apresenta a soma das assistências de Messi no Espanhol e na Liga dos Campeões da Europa (Champions League) desde a temporada 2014/2015.

E na de 2019/2020 ele obteve a maior quantidade delas: 24 (em 41 partidas). É o número mais elevado desde 2014/2015: 23 (em 51 partidas).

Paralelamente, na mais recente temporada Messi registrou o menor número de finalizações no período (somando Espanhol e Champions): 190. Em 2018/2019, foram 224 (18% a mais), e em  2017/2018, 241 (27% a mais).

Ou seja, mais uma comprovação de que ele está de fato não tão determinado a fazer gols como em um passado não tão distante.

O que o deixa com chance reduzida de atingir os mil gols na carreira. Hoje, tem 712 (por clube e seleção, em jogos por competição ou não), na contabilidade deste blogueiro.

Na atual temporada, Messi ainda está em marcha lenta, tanto em gols como em assistências. Até esta sexta (16), em três jogos no Espanhol, fez só um gol (de pênalti) e não teve êxito em dar passes decisivos para que companheiros pudessem marcar.

Em tempo: À revista “A Garganta Poderosa” Messi foi além do futebol e destacou também a importância da educação (“é a base de tudo”) para o desenvolvimento da sociedade, que tem com um dos grandes problemas, segundo ele, a desigualdade social (“é preciso lutar para corrigi-la o mais rápido possível”), e a relevância da solidariedade em tempos de pandemia de coronavírus, para que não falte alimentos e água aos mais necessitados.

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