Esporte

Cuca cometeu erros e Diniz foi agressivo com jogadores no clássico

Na coluna anterior, escrevi que as condutas dos treinadores são muitas vezes elogiadas de forma excessiva nas vitórias e supercriticadas nas derrotas, sem levar em conta dezenas de outros fatores envolvidos nos resultados.

No empate por 2 a 2 entre Santos e São Paulo, Cuca cometeu dois claros erros, que foram corrigidos no segundo tempo. O bom meio-campista Pituca foi deslocado para a lateral-esquerda, onde não sabe jogar, sem ninguém ocupar o seu lugar. O São Paulo deitou e rolou no meio-campo e pelo lado. Soteldo, que só sabe atuar aberto, para aproveitar sua habilidade e velocidade contra um marcador, atuou pelo centro, onde era facilmente anulado.

Nessa partida, mais uma vez, o bom treinador Fernando Diniz abusou dos palavrões e agressividade aos atletas. Muitos vão dizer que é assim mesmo, que os jogadores não se importam e que estão acostumados. Eu nunca suportaria essa desrespeitosa relação.

Como tem dito o narrador Gustavo Villani, do SporTV, há uma crescente preocupação dos treinadores brasileiros em evitar os chutões, sair com a bola de trás trocando passes e pressionar a saída de bola do adversário desde o goleiro. É uma evolução. O mundo todo tem feito isso. Porém, muitos defensores e goleiros, quando pressionados, não têm habilidade para tanto. Em várias situações, é necessário dar chutões, o que acontece também com os melhores times do mundo.

Além disso, a pressão, para funcionar bem, tem de ser feita em bloco, com sincronia. Nos times brasileiros, com frequência, os atacantes avançam e deixam enormes espaços entre eles e o meio-campo. Outras vezes, os armadores acompanham os atacantes, mas os zagueiros ficam atrás, colados à grande área, deixando um vazio entre eles e o meio-campo, para o contra-ataque do outro time.

     

Na última rodada do Brasileiro, a décima, dos times considerados mais fortes, apenas o Atlético-MG venceu. As equipes inferiores melhoraram, enquanto as candidatas ao título têm sido irregulares, com deficiências coletivas e individuais, especialmente no ataque. Botafogo e Bragantino são dois times que atuam melhor do que mostram os resultados. Dos últimos dez Brasileiros, só uma campanha teve um líder com menos pontos na décima rodada que o Inter.

Alguns jogadores que brilham nas equipes pequenas eram medianos quando jogavam nas grandes. Isso acontece em todo o mundo, desde que foi inventado o futebol. As exigências técnicas e emocionais são bem diferentes. Além disso, para atuar bem, é necessário jogar um bom futebol coletivo.

O Vasco, a grande surpresa, tem um trio ofensivo de jogadores de talento, formado por Benítez, Cano e Talles Magno. O argentino Cano foi artilheiro quatro vezes seguidas no Campeonato Colombiano. Ele possui uma grande qualidade, a inteligência espacial, para atuar em pequenos espaços. Em uma fração de segundos, mapeia tudo o que está em sua volta e se infiltra no momento certo para receber a bola e, com apenas um toque, fazer o gol. Como ele sabe tudo isso? Sabendo. Existe um saber que antecede ao pensamento.

Após a derrota por 2 a 0 para a boa equipe do Ceará, voltaram as críticas ao técnico Domènec. Diferentemente de Jorge Jesus, ele muda o desenho tático e vários jogadores a cada rodada. Para Jorge Jesus, era claro quem eram os melhores. Já para Domènec, isso ainda é nebuloso. Dizer que titulares e reservas são do mesmo nível é conversa para boi dormir.

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