Esporte

Klopp e Guardiola polarizam por suas diferenças táticas

O goleiro Ter Stegen, do Barcelona, quebrou o recorde de passes de um goleiro no Campeonato Espanhol, na vitória sobre o Leganés, há duas semanas. Embora com critérios estatísticos diferentes, Éderson, do Manchester City, deu mais passes e teve maior porcentagem de acerto contra o Burnley.

A coincidência é ver goleiros participando da saída de bola e chegando até a intermediária, para que Barcelona e City abram seus zagueiros e avancem todos os demais jogadores.

Guardiola começou a aprender isto quando foi treinado por Johan Cruyff. No Ajax campeão da Recopa de 1987, Cruyff fazia questão de que seu goleiro, Stanley Menzo, participasse da construção do jogo.

No Barcelona campeão da Europa em 1992, o titular era Zubizarreta, ídolo e titular da Espanha. Mas Cruyff gostava muito de Carles Busquets, o pai do volante Sergi Busquets, goleiro que tinha a mesma qualidade de passe de seu filho.

Guardiola não é um radical e seu ataque muitas vezes sai das posições, para produzir inversões rápidas de jogadas. Mas esta é mais a característica dos times de Jurgen Klopp. Embora ambos façam prioritariamente o que se chama de ataque posicional, em que a bola vai até o jogador, Klopp adora o caos.

Se Éderson deu 37 passes contra o Burnley, Alisson deu só 19 contra o Crystal Palace. A bola do Liverpool começa pelos zagueiros, Matip e Van Dijk, com apoio de três homens pouco à frente, muitas vezes os volantes Henderson e Wijnaldum.

Mas o diferencial de Klopp é a forma como pressiona a saída do adversário. Nenhum outro time do planeta faz seus três atacantes agredirem o rival na defesa, como faz o Liverpool.

Nem o City faz, nem o Barcelona de Guardiola fazia. Porque quando os três homens de Pep se aproximam para a pressão, um deles fica à espreita, enquanto dois pressionam.

Falamos de dois técnicos que tentam diminuir o caminho para chegar ao gol. Guardiola foi mais revolucionário, porque trouxe o futebol de volta ao ataque, quando a estratégia da moda era ter os times defendendo em bloco na intermediária defensiva. Era a prioridade de José Mourinho, brilhante com o Porto e o Chelsea, assim como é a de Diego Simeone, do Atlético de Madrid, que eliminou o Liverpool da Champions League.

O triunfo recente do Atlético indica que é possível jogar de diferentes maneiras. No ano passado, o City de Guardiola foi campeão inglês e o Liverpool venceu a Champions. Nesta temporada, Klopp já está eliminado do torneio continental, que pode ser vencido por Pep.

Ou por outra equipe, de estratégia diferente, como o Real Madrid com Zidane, ou o Atlético, de Simeone.

Neste momento, Klopp e Guardiola representam uma polarização muito mais justa do que as que se tem visto mundo afora. Muito melhor discutir as maneiras diferentes como Klopp e Guardiola atacam do que polarizar ciência x economia.

Guardiola subiu o nível na Espanha, que por duas vezes teve campeões com 100 pontos. Depois, foi para a Inglaterra e também teve pontuação centenária para ganhar o título em 2018. Agora, o Liverpool de Klopp pode repetir isso e somar até 107.

Só que, para isso, terá de vencer o City na quarta-feira (1º).

MUITO DJOKO

Mais louco do que a prefeitura do Rio liberar público para os jogos a partir de 10 de julho é pensar que a liberação se dá depois do caso Djokovic. O que der errado vai mostrar ao mundo que não dá para fazer. Crivella está Djoko.

CASO ARTHUR

Maurizio Sarri, da Juventus, pensa em Arthur como regista, ou seja, o primeiro meio-campista, com visão para iniciar as jogadas. Isto não exclui que o brasileiro melhore na sua maior deficiência: deve ser mais ousado no passe..

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