Economia

Soja e milho, com preços altos, avançam sobre áreas de arroz, feijão e cana

A área de soja e de milho deverá crescer 3,7 milhões de hectares nesta safra 2021/22, segundo estimativas do mercado. A área de soja iria para 40,3 milhões de hectares, e a de milho, considerando as três safras, para 22 milhões.

Esse incentivo para o crescimento vem dos bons preços do momento, apesar da elevação de custos de produção.

No caso do milho, haverá uma inversão neste verão. A área, que sistematicamente vem perdendo espaço neste período, voltará a crescer.

A evolução dessas duas culturas é uma má notícia para arroz e feijão, que terão um espaço de cultivo reduzido, devido à rentabilidade das duas primeiras culturas.

Alimentos básicos no dia a dia do consumidor, feijão e arroz vão depender de um bom clima e de boa produtividade para uma oferta adequada no país. Caso contrário, haverá a necessidade de importações, trazendo novos custos de fora para dentro, devido ao valor acelerado do dólar.

A safra de verão, que vem caindo nas últimas quatro décadas, deverá subir e voltar aos 5,5 milhões de hectares em 2020/21, conforme estimativas de Vlamir Brandalizze, da Brandalizze Consulting.

A Agroconsult, promotora anual do Rally da Safra de soja e de milho, também prevê uma recuperação de área, com o cereal podendo atingir 5,1 milhões de hectares neste período de verão. No inverno, serão 15,7 milhões de hectares.

Já a Céleres e a AgRural não apostam muito na evolução do plantio na safra de verão, mas na de inverno.

A Céleres prevê uma aceleração grande em apenas alguns estados neste verão, como no Paraná, onde a evolução será de 15%.

O total da área nacional, porém, não passará de 4,7 milhões de hectares, com crescimento de 5,3%. Na avaliação da AgRural, a área de verão do centro-sul crescerá só 0,6%.

Para ganhar espaço, soja e milho deverão ocupar áreas de arroz, feijão e de cana-de-açúcar neste verão. Brandalizze estima que pelo menos 50 mil hectares da área de arroz passarão para soja.

O arroz, que tem custo maior de produção do que o da leguminosa, rende menos na hora da comercialização, diz.

O analista acredita que a cana, devido à seca e à renovação dos canaviais, também cederá espaço para os grãos, principalmente para a soja. Nos estados de São Paulo, Goiás e Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, a área de substituição, segundo ele, poderá chegar a 500 mil hectares.

O avanço da soja será também sobre áreas de pastagens degradadas, que não dão rendimento adequado aos produtores rurais, afirma.

Daniele Siqueira, da AgRural, e Anderson Galvão, da Céleres, não veem expansão significativa na área de milho neste verão. Para a analista da AgRural, o milho é menos resistente à seca do que a soja, e este será um período de La Niña. Além disso, o desembolso dos produtores com o milho é maior. Com isso, eles vão optar mais pelo cereal durante a safrinha.

Galvão diz que os preços do milho estão favoráveis, mas a área não cresce muito no verão porque os produtores estão mais afinados com a soja neste período do ano. “Eles maximizam a soja no verão e têm alta eficiência na produção de milho na safrinha”, diz.

Mesmo com a intenção de aumentar a área de milho nesta safra, o produtor sofrerá um limitante. A oferta de semente é menor. “A mesma seca e a mesma cigarrinha que afetaram a safra normal afetaram também os produtores de semente”, afirma Galvão.

Na avaliação da Céleres, a área total de milho, incluindo as três safras, será de 22,1 milhões de hectares em 2021/22, com produção de 121,6 milhões de hectares.

Na primeira safra, a de inverno, serão semeados 4,65 milhões de hectares. Na segunda, a safrinha, serão 16,9 milhões. Na terceira, 564 mil.

Com o crescimento da produção, o Brasil voltará a exportar 42 milhões de toneladas do cereal, diz a Céleres.

Mais moderada do que o mercado, a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) estima áreas menores de plantio em 2021/22.

Segundo o órgão do governo, o cultivo de soja será de 39,9 milhões de hectares; o de milho, de 20,6 milhões; o de feijão, de 2,9 milhões, e o de arroz, de 1,7 milhão.

A recomposição da produção de grãos básicos no país vai depender do clima, que será fundamental para assegurar produtividade ao arroz e ao feijão, cujas lavouras perdem espaço, segundo avaliações do mercado.

No caso do feijão, há uma troca de período de plantio. Os produtores estão optando pelo milho, bastante rentável neste período do ano, e, na sequência, semeiam o feijão-carioquinha.

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