Economia

Marcas premium tentam driblar dólar alto e mercado restrito

Os importadores e fabricantes de veículos premium se adequam a tempos de menor rentabilidade. A desvalorização do real perante o dólar e o término dos estoques adquiridos a cotação mais favorável já se refletem nos preços neste segundo semestre.

As empresas envolvidas lidam com volumes baixos de vendas, mas em um universo bem mais competitivo e exigente.

Enquanto a Chevrolet, líder em emplacamentos no Brasil, oferece três utilitários esportivos, a BMW disponibiliza sete SUVs em seu catálogo. A concorrente Mercedes tem outros seis, e cada um possui diferentes opções de motorização.

Apesar de variedade ser importante, as marcas revisam seus portfólios para adequar valores e tentar manter os veículos interessantes. Absorver parte do prejuízo parece ser inevitável nestes tempos de pandemia.

Promoções vistas há cinco ou seis anos, quando fabricantes que iniciavam a produção no país reduziam margens para ganhar mercado, não devem mais se repetir: os carros de luxo tendem a ficar ainda mais equipados e caros. Essa estratégia, embora reduza o volume de venda, ajuda a justificar os valores cobrados e a reduzir as perdas.

Nas faixas mais altas de preço, as montadoras de carros premium oferecem exclusividade. A Audi, por exemplo, amplia as opções de personalização dos carros da linha RS, que tem modelos vendidos por mais de R$ 500 mil. O consumidor pode optar por cores especiais comercializadas sob encomenda, que custam entre R$ 37 mil e R$ 75 mil.

A Volvo, que não tem produção nacional de automóveis, investe na eletrificação e lança carros híbridos para atrair clientes –o mais recente é o XC40 T5 (R$ 249.950).

A montadora sueca teve queda de 24,3% em vendas na comparação entre os primeiros semestres de 2020 e de 2019. É menos que a perda geral no mercado, que encolheu 38,2%. Os dados são da Abeifa (associação dos importadores) e da Fenabrave (entidade que representa os distribuidores de veículos).

A única marca a registrar um primeiro semestre excepcional foi a Porsche, que teve 1.535 carros vendidos, crescimento de 90% na comparação com o mesmop período de 2019. O modelo de maior destaque foi o 911.

Quem encomendou a versão Carrera S em março do ano passado para recebê-lo meses depois fez um bom negócio: a montadora alemã manteve o preço anunciado durante a pré-venda (R$ 679 mil), época em que o dólar estava na faixa de R$ 3,80. Hoje, versões 2019/2020 pouco rodadas têm sido anunciadas por mais de R$ 700 mil.

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