Economia

Participação de estrangeiros na dívida pública é a menor em mais de 10 anos

Os investidores estrangeiros registraram nova queda de participação na dívida pública brasileira, de 9,11% em maio para 9,09% em junho. A nova mínima do percentual em mais de dez anos é registrada mesmo com entrada líquida do capital externo no mês.

Em valores absolutos, houve uma entrada de R$ 10 bilhões de capital estrangeiro em junho, o primeiro dado positivo após quatro meses seguidos. A entrada é considerada positiva pelos técnicos do Tesouro Nacional, mas eles dizem ser cedo para considerar que o movimento representa uma reversão de tendência do capital externo.

“É um sinal positivo, sem dúvida. Mas é cedo para dizer se há uma reversão e se o capital estrangeiro está voltando para o país”, diz o coordenador de operações da Dívida do Tesouro, Roberto Lobarinhas.

O próximo resultado pode registrar uma nova saída líquida, segundo ele. Em julho, teve um grande vencimento de prefixados, então é possível que tenha uma saída líquida de estrangeiros. Então é cedo para avaliar se há uma reversão dessa tendência”, ressaltou.

Dados da B3 reforçam o cenário de incerteza sobre o apetite de estrangeiros no país. Junho teve uma entrada líquida de R$ 343 milhões em capital externo (a primeira do ano), mas julho volta a ter saída líquida, de R$ 4,93 bilhões (dados até o dia 24).

De qualquer forma, os técnicos do Tesouro afirmam que a administração da dívida contou um cenário de mercado mais favorável do que em meses anteriores. Isso foi impulsionado pela reabertura gradual de diversas economias, pelas expectativas com vacinas contra a Covid-19 e pelos novos estímulos econômicos.

“Apesar de volatilidade em patamares elevados, o mês foi marcado por um cenário mais benigno”, disse Lobarinhas. Os dados mostram que as instituições financeiras aumentaram sua posição na dívida.

Segundo o Tesouro, a conjuntura permitiu a primeira operação no mercado externo no ano e a emissão de volumes mais elevados do que em meses anteriores no cenário doméstico. Com isso, o estoque da dívida aumentou 3,27% em relação a maio, para R$ 4,38 trilhões.

As emissões em junho foram concentradas em títulos prefixados mais curtos e os de taxa flutuante, diante da preferência dos investidores por ativos menos arriscados e mais líquidos.

O prazo médio apresentou redução, de 3,96 anos em maio para 3,87 em junho. O custo médio acumulado em doze meses subiu de 8,98% ao ano em maio para 9,04% ao ano em junho.

Por outro lado, o Tesouro entende que continuam prejudicando os números fatores como o baixo nível de atividade econômica e as restrições de liquidez financeira, o que vem gerando incerteza.

Nesse cenário, o CDS (Credit Default Swap, indicador de risco do país), registrou redução de 9,7%, atingindo 257 pontos ao final do mês. O número está acima de pares internacionais monitorados pelo Tesouro, como México (158), Colômbia (161), Chile (86) e Peru (92).

Com relação ao mês de julho, o Tesouro vê um cenário ainda em situação positiva, apesar da cautela diante dos riscos associados à pandemia, especialmente diante da possibilidade da aceleração do contágio em algumas regiões dos Estados Unidos e do Brasil.

Os técnicos destacam como positiva a divulgação de um pacote de ajuda bilionário pelos países da União Europeia, que ajudou a reforçar as perspectivas com relação à recuperação da atividade econômica.

Internamente, a ênfase dada pelo governo à retomada da agenda de reformas (como a entrega da reforma tributária ao Congresso) e a diminuição da volatilidade cambial ajudaram a melhorar o ambiente de negócios, segundo os técnicos.

Também tende a ajudar os números a decisão do Federal Reserve de manter os juros em taxas próximas a zero. “A busca por liquidez nesta crise foi muito grande, então todos esses estímulos na compra de títulos e em manter taxas em níveis baixíssimos estimulam a economia”, afirmou Lobarinhas.

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