Economia

'Eu não fiz nada, só não atrapalhei', diz Ilan Goldfajn sobre agenda BC+

O presidente do conselho do Credit Suisse e ex-presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, afirmou neste domingo (28) que ao implementar a agenda BC+, em sua gestão na autoridade monetária, apenas impediu que a regulamentação do sistema financeiro atrapalhasse a entrada de novas empresas no setor.

O executivo participou de uma transmissão ao vivo do Modalmais para comentar sobre o novo acordo entre o Banco Modal e o Credit Suisse, assinado na semana passada, e que permitirá que o banco suíço compre 35% da participação do capital do Modalmais.

“A agenda BC+ foi para trazer mais competição, eficiência, redução de custo e dar força para fintechs e para a digitalização. Muita gente me diz que foi muito bom eu ter feito a agenda BC+, mas eu não fiz nada, eu só não atrapalhei. E muitas vezes, não atrapalhar é a melhor coisa”, disse o executivo em transmissão ao vivo do Modalmais.

A agenda BC+ foi a precursora da agenda BC#, do atual presidente da autoridade monetária, Roberto Campos Neto. Foi também responsável por trazer diretrizes de redução de custo de crédito e para o aprimoramento de questões estruturais do sistema financeiro.

Segundo Goldfajn, a pandemia de coronavírus acabou acelerando as tendências de redução de juros e de digitalização que o mercado financeiro já registrava nos últimos anos.

“O Credit Suisse olha no Brasil esse mundo de novas plataformas, digitalização e democratização de mercado. O primeiro passo é explorar as sinergias de como o Credit poderá se beneficiar dessa plataforma, e de como poderemos beneficiar o Modalmais”, afirmou.

Para o co-presidente do Modalmais, Cristiano Ayres, apesar de a parceria ainda depender da aprovação do Banco Central e do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), o momento é muito importante para ambas as instituições.

“Temos um roadmap [metas de desenvolvimento] muito grande, de trazer novos produtos e serviços no ar. E esse acordo vem para juntar a tradição do Credit Suisse a tudo isso”, disse.

Sobre o mercado e a economia, Goldfajn – que também comentou sobre as perspectivas de câmbio, inflação e Bolsa de Valores – afirmou que ainda existe muita expectativa sobre a melhora da economia real.

“O que os bancos centrais do mundo fizeram [ao injetar recursos em suas respectivas economias] foi na esperança de trazer certa recuperação. O problema é que a economia ainda está muito atrelada às questões de saúde. Precisamos esperar e ver”, disse.

Na última quinta-feira (25) o CMN (Conselho Monetário Nacional) também divulgou que estabeleceu uma meta de 3,25% para 2023, a menor em 20 anos. As metas para 2021 e 2022 seguem em 3,75% e 3,50%, respectivamente. Para 2020, o objetivo de inflação estabelecido pelo CMN é de 4%.

“O risco que a gente sofre não é o da inflação ficar na meta, mas o de termos percalços no meio do caminho”, afirmou Goldfajn.

“Todos sabemos que no final deste ano, o Brasil vai acabar com uma dívida muito acima da dívida de outros países emergentes. Como existe a necessidade de gastar, o gasto social e da pandemia tem que ser feito com muita responsabilidade e precisa ser temporário. Talvez, esse seja o percalço”, disse.

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