Dia a Dia

Não eleger é bem mais fácil que prender!



Quinze de novembro é o ponto alto da Democracia nos municípios, quando elegeremos os cargos mais importantes de cada cidade: vereadores. Contudo, pelo menos metade da população dos municípios não tem candidato ainda. Tenho medo de como farão para escolherem.

Não à toa, podemos afirmar, as pessoas não têm interesse na política. Mas vamos lá, esses homens e, infelizmente, poucas mulheres que assumem a vereança nos representam para o bem ou para o mal, fiscalizam os atos do executivo municipal ou não, mas independente de questões, como a forte pressão econômica e até mesmo de eleitores e amigos que acreditam que o vereador deve o voto para eles e está lá para conceder favores, uma Câmara é boa ou ruim de acordo com o interesse da população por política.

E se vocês acham que eu estou falando de algo filosófico, puramente teórico, lembro das vezes em que alguma categoria profissional tem um risco de perder empregos e resolve manifestar-se na Câmara dos Vereadores. Isso provoca discursos sem-noção de apoio irrestrito à categoria etc, promessas, cumpridas, de caravanas de vereadores à São Paulo ou Brasília, etc.

Alguém já disse que um político é o ser mais sensível que existe. É só perceber uma possibilidade de ganhar eleitores ou perdê-los, que rapidamente o político reage.

Assim ficamos com a seguinte questão: nós não temos interesse em quem votar, não fiscalizamos quem nos representa e só vamos lá quando temos problemas muito específicos, geralmente ligados a perda do instrumento do ganha-pão ou algum prejuízo iminente, como desabamentos, alagamentos e outros lamentos. De resto, cada vereador faz o que quer, como quer.

Deixamo-nos livres para tocar seu mandato de acordo com interesses privados. Ninguém liga, as pessoas estão ocupadas em seguir suas vidas sem entender que as suas vidas estão sendo decididas naquele Plenário nas votações do Plano Diretor, do Orçamento e das leis eventuais.

Um planejamento da cidade mal feito prejudica a vida de todos. Leis para privilegiar amigos e grupos econômicos não beneficiam a cidade. Virar as costas para um trem não faz com que ele desapareça, inclusive é uma atitude bastante infantil.

E não acredito que esta atitude de dar com os ombros para a política venha do desencanto do eleitor. Vamos pensar por um minuto: quem ler contratos antes de assinar? Quem calcula financiamentos? Quem vai lá e faz a conta no lápis ou na calculadora se realmente o que você paga de financiamento é o que está naquele contrato? Qual é o preço final da ignorância ou da conveniência? Pensamos pouco nas questões públicas porque achamos que o público é um ‘espaço’ em que quem chega primeiro toma pose.

Vide o uso irregular de calçadas, para ficarmos no ordinário. Eleição é sempre o mesmo, faça diferente. Em 2021, acompanhe seus vereadores.

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Cláudio Fernando

Formado em administração de empresas, pós graduado em economia e relações internacionais, mestrando em gestão ambiental pela universidade de Ribeirão Preto e professor universitário nas áreas econômicas

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