Dia a Dia

Qual o significado do WhatsApp na sua vida?



A gente vive um daqueles paradoxos muito mais provocados pelas incoerências da natureza humana do que da tecnologia. Estamos na era da super-comunicação, da hiperconectividade.

Imersos em toda sorte de aplicativos de comunicação instantânea, redes sociais e de aparelhos de deixar qualquer agente 007 sentindo-se homem das cavernas. Mesmo assim há pessoas que demoram dois, três, quatro dias ou uma semana para responder mensagens, quando respondem.

Adicione ao drama que se desenha a tendência de não nos comunicarmos por chamadas de áudio ou vídeo. Algumas coisas são claras, não se responde porque não se quer contato com o amigo ou amante chatos e esperamos a ficha dele cair. Mas saiamos da seara dos relacionamentos afetivos e fujamos de julgamentos morais.

Muitas pessoas vivem de jobs – aquela condição profissional que chamávamos de bico até a classe média ver as carreiras profissionais se precarizarem e então adotar o anglicismo para salvar ao menos a ilusão de status – ou de vendas em seu próprio negócio. Aplicativos de mensagem instantânea ou redes sociais tornaram-se vitais para se fazer negócios entre estes empreendedores ou trabalhadores autônomos.

O mundo pede mobilidade, conectividade e instantaneidade. Não haveria em tese razão para não se responder mensagens ou ignorá-las se você quer fazer negócios. Mas esta é reclamação recorrente de potenciais clientes que se viram ignorados por prestadores de serviço ou empreendedores.

Sabemos que muitas pessoas fornecem seus contatos por falsa educação. Artistas estreantes sabem bem o que é obter o contato daquele produtor, ou editor, ou empresário sorridente que nunca vai atender sua chamada. Enfim, dar-se o contato por educação e não atende-se por falta dela, quem entende a lógica? Fica um clima de soberba e falsidade no ar.

Voltando ao mundo real, muitos profissionais liberais, prestadores de serviços ou empreendedores perdem trabalhos e até mesmo criam má fama por não atenderem potenciais clientes. E olha que a venda quase se fez sozinha: o cliente foi atrás, achou o contato e fez a chamada ou mandou e-mail. Bastaria apenas atender, só isso.

Um orçamento dentro da média do mercado, algum encantamento e pronto, venda feita, negócio fechado. Mas não. Esta falta de conexão do lado do empreendedor – profissional liberal – prestador de serviço cria a imagem de desleixo, irresponsabilidade e talvez um fervoroso ex-cliente em potencial que vai falar mal de sua empresa ou seu nome profissional.

Se você sequer consegue responder a um cliente na era da hiperconectividade, será que conseguiria fazer coisas mais complexas?

O cliente pergunta. Deixar o amigo ou o amante chatos sem resposta já não é lá muito educado. Agora, em relação absolutamente comercial, fazer isso é perder dinheiro mais rápido que um raio.

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Cláudio Fernando

Formado em administração de empresas, pós graduado em economia e relações internacionais, mestrando em gestão ambiental pela universidade de Ribeirão Preto e professor universitário nas áreas econômicas

 
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