Cidadania e Direitos Humanos

A vida e o mundo acadêmico

Algumas carreiras universitárias, geralmente ligadas a humanas, propõe a seus alunos entender tudo, saber de tudo. As tentativas acabam em situações que vão de ansiedade à loucura. Não vejo por que uma pessoa precisa se inteirar que no estado americano, uma fulana de tal “Ateou fogo na casa tentando acender o cigarro”, ou “Acidente de carro na Índia matou um boi”, ou aquele cantor ou atriz, que você nunca ouviu falar, estão fazendo algo que nunca foi de seu interesse. Não estou dizendo que devamos nos fechar para o mundo, até porque é impossível, mas concordemos que não podemos conhecer tudo ou dar conta de todos os acontecimentos, e não precisamos, nosso mundo pessoal vai expandindo-se de acordo com as relações e necessidades, há um ritmo para isso, mas a mídia cria situações alarmantes para vender sua atenção; a publicidade para vender produtos; religiosos e políticos para vender ‘salvação’. Não importa muito se distorcem fatos, números, tiram do contexto os acontecimentos, o alarmismo é o que importa. Um coração inquieto é presa fácil para aproveitadores.

O pior, como não temos tempo para nos aprofundar nos assuntos, damos uma leitura por cima, ouvimos falar, alguém disse, e formamos uma ideia deformada do mundo. Há quem jure que o mundo piorou… mentira, dados mostram que, comparado a outras épocas, nosso tempo, na média, melhorou: mais escolarização, mais saúde, mais justiça social, eu disse comparando a outras épocas, claro que há muita injustiça no mundo, é da natureza humana.

As pessoas necessariamente não estão mais doentes, como pensa o senso comum, vivemos mais e os exames clínicos detectam com mais precisão doenças, e sim, o mundo está louco, mas isso acontece de tempos em tempos. O segredo é ter olhar crítico. A matéria jornalística é importante para mim? A última moda, o que todo mundo está usando, é do meu agrado? Será que vale a pena gastar tempo e dinheiro para parecer-se como todo mundo? Há um conflito em algum lugar longe daqui, isso até me importa, mas posso fazer algo para ajudar? E os problemas na minha porta? Há quem ajude causas do outro lado do mundo sem ter nenhum tipo de envolvimento, mas não ajude o vizinho.

É muito comum que achemos a greve geral em países europeus como justa e corajosa e desejemos que a polícia baixe a ‘porrada’ nos grevistas brasileiros. A sensação de que é mais fácil mudar o mundo que arrumar a calçada vem da triste constatação que mudar o mundo é inatingível (pelo menos sozinho), logo, não vamos nos cobrar nem ser cobrados por isso. Já a calçada… bem, a calçada tá ali, ó, na nossa porta. Melhor não se comprometer. É como regime rigoroso, a gente sabe que não vai conseguir, logo!… Agora, reeducação alimentar é chata porque dá pra fazer, não é? Pra finalizar: Ouça tudo, escute o que te interessar.

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Cláudio Fernando

Formado em administração de empresas, pós graduado em economia e relações internacionais, mestrando em gestão ambiental pela universidade de Ribeirão Preto e professor universitário nas áreas econômicas

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