Brasil

Os idiotas vão tomar conta do mundo; não pela capacidade, mas pela quantidade. Eles são muitos!


O eleitor, biênio a biênio e cidadão dia a dia tem um pacto tácito muito bem claro com políticos. Ele vota sem muita certeza ou interesse público em alguém e pode graciosamente acusar este novo ou eterno mandatário de cargo público por todos os seus infortúnios.
 

Isso é um grande negócio à medida que o mau cidadão pode continuar péssimo cidadão e colocar seus pequenos pecados na conta do político A ou Z. Aí ouvimos frases do tipo. “Se os grandes lá de cima fazem…” “Eles são os primeiros a dar o mau exemplo”. Este país tá assim porque…” Enfim, enquanto muitos dos políticos sujam as mãos, o cidadão comum lava as mãos. Mas todo este preambulo é para responder certo amigo que me questiona qual seria a função de Bolsonaro na história política?
 

Dizer que ele é fascista é desviar do caráter psicológico que o ‘novíssimo presidente’ tem. Bolsonaro não precisa mesmo fazer nada nem entender nada. Sequer ter um plano, aliás, ele nunca escondeu duas coisas: sua escrotice e a total falta de plano. A função de Bolsonaro é puramente simbólica.
 

Simboliza milhões de pessoas frustradas com a economia, com as mudanças sociais, não que elas sejam mesmo avessas à mudança, como gritam alguns analistas de esquerda. Esta população de dezenas de milhões é gente como a gente. Quem não gosta de novidades? Desde que sejam boas, claro.
 

Pra milhões de brasileiros o mundo não está sendo gentil. Ou porque nunca foi, pobres. Ou porque deixou de ser, quem desceu de classe social. Mas havia a válvula de escape de sempre. Este caldeirão de insatisfeitos apontava seu ódio para públicos desprotegidos.
 

Desafortunadamente, até isso o tímido avanço de direitos humanos tirou deles. Daí surge Bolsonaro, escroto, ignorante, oportunista em um cavalo celado escoiceando e pisoteando estas pequenas manchas de civilidade. Bolsonaro é o boi que passou para passar a boiada, como analisou bem seu ministro do Meio Ambiente. Bolsonaro autorizou todo brasileiro a dizer asneiras como ele.
 

Espalhar um ódio que sempre esteve no meio de nós, mas estava amordaçado. É como um artilheiro que entrou aos quarenta e quatro do segundo tempo e fez o gol do título. A torcida, milhões de frustrados cheios de ódio, pôde explodir em êxtase. Não vai ter século XXI, não, gritam até à rouquidão.
 

Agora eles podem sonhar com dias melhores cheios de ódio, teorias da conspiração e revisionismo histórico conveniente. Por esta visão, eles não precisam que o Novíssimo tenha um plano, ou um projeto claro de poder. Ou entenda nada do mundo onde vivemos. Afinal, eles querem destruir este lugar chamado século XXI.
 

Para bolsonaristas, tentar entender este mundo tão ameaçador é se arriscar a gostar dele. E como descobrimos em O Matador da Netflix: Matador não pode ter coisas na cabeça, se não atrapalha o trabalho de matar.
 

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