Política

Bolsonaro e os caminhos do golpe

Esta semana oque já vem sendo denunciado a muito tempo, se tornou mais evidente a movimentação para um ensaio de Golpe, não apenas pelas posições  públicas do então deputado do baixo clero, como defesa da ditadura, da tortura , do machismo, do racismo seu flerte com o fascismo, sua proximidade com a extrema direita e sua aproximação a grupos fundamentalistas religiosos , mas pela movimentação que vem fazendo desde sua posse como Presidente da República.

O aparelhamento do Governo por militares não apenas no primeiro escalão, mas também em outros setores estratégicos a ocupação também de cargos por membros de concepção conservadora e até incompatíveis com a função que ocupam, leia-se a Ministra Damares.

Pretendo ser breve neste texto, pois minha inquietude dificulta a obtenção da paciência necessária para escrever um artigo mais longo, retomando o objeto da síntese  , Bolsonaro vem articulando ações até agora frustradas de implementar instrumentos jurídicos que vão do estimulo a beligerância e do lobby dos fabricantes de armas a leis que lhe dão superpoderes.

O escritor René Dreyfuss em seu livro ‘ O jogo da Direita’, já relatava a existência daquilo que ele chamou de “sociedade politica armada , onde expões sobre a influencia , as posições e o caráter politico das Forças armadas, fato que se acentuou neste Governo.

A nossa história é cheia de episódios da politica interna com envolvimento de militares, ainda que o Exército como o conhecemos hoje tenha se consolidado após a Guerra do Paraguai , desde a colônia o embrião dessa instituição protagonizou massacres, violência, tortura e brutal extermínio de seu próprio povo claro, naquele momento sempre com apoio dos capangas das oligarquias, seus pistoleiros, mercenários e e seu “catado” de buchas de canhão.

O massacre de Porongos onde centenas de negros desarmados foram assassinadas de forma covarde os lanceiros negros, que lutaram na revolução farroupilha com a promessa da alforria, que é obvio não foi cumprida, David Canabarro e o  idolatrado Duque de Caxias cometeram um genocídio que até hoje a historia oficial tenta esconder, mas tem mais, canudos, palmares, cabanada e outros levantes populares que defendiam a liberdade, abolição e até a República.

Embora possamos até reconhecer que possam existir militares no mínimo legalistas que defendam o papel institucional das Forças armadas  e não seu uso politico para golpes e implementação de projetos autoritários de poder, tal como foi General Lott, que junto a outros generais deteve um movimento golpista na década de 50  e garantiu a posse de  Juscelino Kubitschek, depois disso sabemos oque deu-se em 1964.

Os golpistas não agem sozinhos, tem sempre apoio de parte considerável da mídia, das elites e de Setores religiosos como vem se mostrando hoje.

O presidente sedento por sangue e pela possibilidade de um Governo centralizador e autoritário, tenta instituir instrumentalidade jurídica que lhe permita essa possibilidade, ainda mais agora com essa aliança com o velho Centrão, aliás, onde foi parar aquele discurso sobre a nova politica mesmo?

Enfim , para ser breve como havia prometido no inicio do texto, várias movimentações do presidente nesse sentido vem sendo efetivadas, o projeto de lei que cria o posto de General nas Policias e da ao Presidente Poder sobre elas, o estimulo tanto dele quanto de aliados a insubordinação de policiais em suas corporações, evidente em Estados aos quais os Governadores não estão alinhados com ele, apoio a manifestações com pautas antidemocráticas , que sabemos porque não são enquadradas na lei de segurança nacional, agora tão invocada por este Governo

Não, não para por ai, aparelhamento e a utilização da ABIN, com finalidades escusas e pessoais a fim de espionar, censurar, perseguir e prender quem lhe fala criticas ou se declare um opositor, nem os blogueiros estão escapando, militantes , trabalhadores, ativistas presos em vários locais do Brasil.

O deputado Major Vitor Hugo, aliado de primeira hora de Bolsonaro, apresenta projeto de lei que permite que o presidente, declare “ Estado de Mobilização Nacional “nos casos de Emergência de Saúde Pública, como a Pandemia de Covid -19

Bom lembrar que tal situação só esta prevista em caso de invasão de forças estrangeiras e se implementada como quer o Governo daria a Bolsonaro o poder de convocar servidores civis e militares e até quem não é servidor , aliás inclusive assumir o comando das policias civis e militares eliminando o poder dos Governadores dos Estados, o nome disso Golpe!

Sem falar nas denuncias de envolvimento com as milícias do Rio de Janeiro, que  já defendeu legalizar , a crise estabelecida esta semana com a demissão do Ministro da Defesa e dos comandantes das três forças armadas, que segundo informações de vários meios de comunicação se recusaram a utilizar as Instituições como uma Guarda real do presidente, mas defendiam a garantia de suas atribuições constitucionais, ou seja Instituição de Estado e não de Governo.

O presidente vem perdendo base popular, restando aquela mais raivosa e babona, além dos fundamentalistas e obscurantistas religiosos, a reforma Ministerial contemplou o centrão, que todos nós sabemos é insaciável, veremos até onde vai esta aliança, e estejamos atentos pois como canto Chico Buarque  e Milton Nascimento, OQUE SERÁ QUE SERÁ?

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Odair Dias

Professor Universitário, assistente social, Diretor técnico da ADESAF, Conselheiro de Campus UNIFESP/ BS, Mestrando em Serviço Social e Políticas Sociais pela Universidade Federal de São Paulo - UNIFESP, Graduado em Serviço Social, Licenciado em História e Sociologia, Pós-graduado em Política e Relações Internacionais-FESP-SP e Membro do Grupo de Estudos GEPEX-DH( Grupo de estudos, pesquisa e extensão em sociedade punitiva, justiça criminal e direitos Humanos-AATe Grupo de Estudos de Violência de Estado e educação popular UNIFESP/BS.

 
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