Política

CENTRÃO 2020


Em primeiro de julho, a Câmara Federal seguiu o exemplo do Senado e aprovou o adiamento das eleições municipais 2020, que após à sanção presidencial serão em 15 de novembro, primeiro turno; e 2º turno em 29 de novembro.
 
Até os deputados do Centrão, antes contrários à proposta, apoiaram a medida, que visa dar tempo de preparar as eleições com os mecanismos de controle e proteção contra o coronavírus e não deixar que um país inteiro saia para votar exatamente no pico da Pandemia.
 
Assim pensam especialistas, médicos e qualquer pessoa de juízo. Mas claro que nada saiu de graça. O Centrão… deixem-me apresentá-lo, chamamos assim um grupo de deputados grande o bastante para definir o rumo do País e que não tem coloração político-ideológica mas bastante fome por cargos e outras benesses não republicanas.
 
Neste sentido, os deputados do Centrão seriam paradoxalmente apartidários. Seja quem entrar, dos comunistas a Bolsonaro, passando pelo Dalai Lama, eles apoiam, desde que ganhem cargos etc.
 
Assim a discussão se haveria adiamento das eleições por conta da Pandemia passava pela preocupação nada republicana de prefeitos Brasil afora de disputarem uma campanha de reeleição sem caixa. Isso mesmo, prefeitos assumem que usam dinheiro público para fazer campanha a partir de obras e benesses a aliados.
 
Prefeitos assumem que a reeleição é maior que nossas vidas. Estes prefeitos foram se socorrer no Centrão, que ameaçava não aprovar o adiamento. O final feliz se deu porque a cúpula do Congresso acena dar algumas contrapartidas para os mercenários, ou mercadores de vida.
 
A primeira é liberar R$ 5 bilhões para prefeituras enfrentarem a pandemia da covid-19, na verdade os prefeitos ganham um aporte para implementar o uso da máquina pública nas campanhas de releição. A segunda é a volta dos programas de partidos no rádio e na TV. É corrupção explícita no horário nobre.
 
A imprensa não dá a devida importância ao fato, que deveria ser manchete diária e ter reportagens e reportagens denunciando o esquema. Extra! Extra! Prefeitos querem mais dinheiro público para enfeitar cidades, acabar obras que se arrastam, tudo para garantir a reeleição deles.
 
Nós mesmos não vemos o absurdo desta história, a tal volta da campanha em rádio e TV  deve arrancar R$ 500 milhões. O que significa que os deputados aproveitam a oportunidade para arrancar mais do cidadão no exato momento em que há milhões de pessoas e empresas literalmente falindo.
 
Este show de horrores fica pior se considerarmos que nós, eu e você, vamos continuar votando neles, continuar votando em prefeitos preocupados com a reeleição, apoiados por deputados que só pensam naquilo.
 
E tem economista achando um escândalo os R$ 600 dados pelo Governo. Dado não, devolvidos da montanha de impostos que eu e você pagamos dia a dia.
 

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