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A verdade sobre o sucesso

As redes sociais trouxeram a facilidade de expormos ideias, imagens e criarmos uma fantasia de nós mesmos compartilhada à exaustão. Paradoxal que seja, este efeito das novas tecnologias já é velho: os que são beneficiados por elas enxergam um mundo de possibilidades ilimitadas e onde todos os problemas humanos serão resolvidos. Assim está sendo, basicamente só precisamos de uma conexão meia-boca e um celular, que nem precisa ser caro – a não ser que a intenção seja mostrar às pessoas que você tem pra gastar, não se esqueça de esconder as prestações – aí podemos vender, enriquecer, tornarmos influencers, quem sabe viver de palestras “Como eu saí do zero até o milhão”. Por que não bilhão?

Verdade que no século passado o sucesso dependia de uma variedade de profissionais que abriam a porta aos eleitos: produtores, estúdios, editores, empresários, apresentadores. Na atualidade, essas pessoas ficaram de uma certa forma desempregadas ou tiveram que se reinventar, os portões e muros caíram. Agora podemos falar diretamente com a audiência desejada por um tostão. Contudo, o inferno se apresenta nos detalhes. Nunca nos esqueçamos: assim como você pode falar com um bilhão de pessoas, todos também podem.

A disputa por mentes e corações ainda é a verdadeira batalha para quem é cheio de ideias, arte ou ‘verdades’ a vender. E o bom e velho sucesso continua trabalhando com a lógica da economia da escassez: a maioria tem que ser medíocre para alguns estarem acima da média. Agora que a gente já acordou e se desvencilhou deste sonho delicioso de grandeza, sejamos práticos: Você deve ter algum talento, como todo mundo, e isso é parte da equação do sucesso. Mas assim como a deepweb, há um lado obscuro e pesado do sucesso. Muito além do: “Quem quer vai e conquista”, existe muito treino, estudo contínuo, e todo tipo de problemas a se resolver. Há o fantástico também, chamam-no de acaso, sorte, intervenção divina, e os mais materialistas a rotulam: oportunidade que, quando se encontra com o preparo em alguma esquina, dão match. Mas como toda história de amor, há os invejosos, a maldade, os trapaceiros, todos vilões que lutam para acabar com este amor. É a vida.

Mesmo assim, não é tão raro um cavalo selado passar por suas vistas. Todavia, ele não para nem sempre é dócil. Oportunidade tem que ser agarrada. E muitas vezes o cavalo selado fica girando por nós feito carrossel, mas a gente tá esperando o momento ideal. Aquele mesmo que só existe em nossos sonhos. Já estou cansado de ver pessoas dizerem: “Legal, só que…, mas tem um problema… Se ele tivesse isso… A ideia é boa, mas é tão difícil… tá, começar do zero, mas quem vai pagar?” No fim, o público está a um clique seu e do mundo. E a oportunidade segue escassa. Todavia, quem a espera perfeita, segue esperando.

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Cláudio Fernando

Formado em administração de empresas, pós graduado em economia e relações internacionais, mestrando em gestão ambiental pela universidade de Ribeirão Preto e professor universitário nas áreas econômicas

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