São Vicente

Adolescente vai todos os dias a ONG para conseguir assistir aulas online durante a pandemia

Sem computador, celular ou internet em casa, Ayslla Aguiar, de 13 anos, teve que driblar as dificuldades de acesso ao ensino remoto para não deixar de estudar durante a pandemia. Moradora de uma comunidade de São Vicente, no litoral paulista, a adolescente acorda todos os dias cedo e vai até uma ONG próxima para conseguir acompanhar as aulas online.

Em entrevista ao G1, a jovem contou que está no 8º ano e estuda na Escola Municipal Matteo Bei. “Eu estava morando na minha madrinha e fazia as lições lá, mas, por problemas financeiros, vim morar com meu irmão, e em casa não temos internet e celular. Então, todos os dias de manhã, venho até a ONG para poder estudar”, conta.

Ayslla relata que ama estudar, e que sonha em um dia cursar direito. Para ela, o maior incentivo para não desistir de acompanhar as aulas, apesar das dificuldades, é conquistar uma vida melhor. “As aulas remotas me deixaram com dificuldades para acompanhar, é mais difícil aprender algumas coisas, e sem acesso à internet, não consigo fazer minhas atividades de casa. Eu até tive que aprender mais a mexer no computador por conta das aulas online. No começo foi bem difícil”, conta.

As barreiras enfrentadas pela adolescente também atingiram outras pessoas da família, como o irmão Edson Silva, de 25 anos, que atualmente é responsável por cuidar dela. Ele afirma que está desempregado, e antes da pandemia, havia voltado a cursar o 1º ano do colegial. Mas, com o fim das aulas presenciais, não conseguiu acompanhar as aulas remotas, e teve que parar mais uma vez de estudar. “O que mais quero é que minha irmã não deixe de estudar nunca, e tenho que ajudar ela com isso, acompanhar, trazer aqui na ONG, ou onde ela precisar, só não pode parar”, relata.

Ayslla acrescenta, ainda, que a dificuldade de acesso não a faz perder nenhum dia de aula, mesmo que tenha que acordar mais cedo todos os dias para chegar até a ONG. “Eu sonho em ter uma profissão, ter uma casa, ajudar meu irmão e mudar de vida. E sei que estudar é o que pode me ajudar a conquistar tudo isso”, afirma.

Para a pedagoga Aline Silva de Souza, de 34 anos, que é coordenadora de projetos da ONG e acompanha o ensino de Ayslla, há uma grande diferença de aprendizado entre as aulas remotas e presenciais. Como a ONG também está fechada durante a pandemia, e em alguns dias os voluntários não comparecem à sede, Aline também permite que Ayslla estude de sua casa, sempre que precisa.

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